É bom ficar de olho em sites de reclamações

Cumprir requisitos de segurança não é garantia que entrega será feita no prazo

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Quem tem a intenção de fazer compras de Natal pela internet deve se apressar, mas sem descuidar da segurança, para que a compra não se transforme em dor de cabeça com presente não recebido ou um cartão clonado, por exemplo. “No mundo físico, clonar uma loja de uma grande rede de varejo ou um banco é praticamente impossível, mas na internet é fácil”,diz o vice-presidente da Certisign, Julio Cosentino.  

Por isso, ele diz que o consumidor tem que ficar atento a alguns detalhes que podem fazer toda a diferença: verificar se a empresa se identifica (endereço físico, telefone e-mail para contato), só fornecer dados se estiver em ambiente seguro (veja quadro) e ler a política de privacidade do site. “É chato, mas vale a pena ler para saber o que vão fazer com os dados que você fornece”, afirma Cosentino.

Ele também aconselha que o consumidor pesquise sobre a reputação da loja em sites de reclamação. “É uma boa prática, porque cumprir os requisitos de segurança não é garantia de que o produto vai ser entregue e o prazo vai ser cumprido”, diz. Esse foi o erro da consumidora Aline Peres, que em agosto comprou uma saia em um site, mas não percebeu que a mercadoria viria da China e poderia levar até 90 dias úteis para ser entregue.

A informação mais visível na página prometia a entrega em 29 dias úteis, mas o prazo dilatado constava no link “prazos de entrega”. Foi só depois de esperar a mercadoria por muito tempo que ela pesquisou o que outros consumidores falavam sobre a loja. “Descobri muitas reclamações no site Reclame Aqui”, diz. Ela conta também que postou mensagens com queixas na página da empresa no Facebook, mas seu relato foi apagado e ela foi bloqueada. “Muitos consumidores reclamam que também foram bloqueados”, afirma ela.

A compra de Aline completa 90 dias úteis na próxima terça-feira. Em resposta a um e-mail da consumidora, a empresa disse que se o prazo não for cumprido, vai devolver o dinheiro mesmo que a mercadoria seja entregue depois. O transtorno com a compra serviu para fazer Aline mudar sua postura em relação às compras online. “Eu já tinha comprado em sites conhecidos. Agora, vou pesquisar sobre as lojas antes”, diz.

Vendas online: alta de 22%, com a Black Friday Enquanto o comércio físico espera resultados modestos no Natal, o e-commerce deve continuar em expansão. A Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) estima alta de apenas 1,5% no varejo da capital neste fim de ano. Já a e-bit, consultoria especializada em vendas eletrônicas, espera alta de 22% nas vendas de Natal, contadas de 15 de novembro a 24 de dezembro. O período engloba a Black Friday, que aconteceu em 28 de novembro e faturou R$ 1,3 bilhão. Outra diferença é o valor de cada compra. Enquanto no comércio tradicional o valor médio dos presentes deve ser de R$ 90, nas lojas online cada pedido deve ser de R$ 360. A expectativa é que as lojas da internet recebam 14,5 milhões de pedidos e movimentem R$ 5,2 bilhões. De acordo com a e-bit, “apesar o momento de baixa confiança na economia” o e-commerce continua crescendo mais do que o varejo em geral porque oferece vantagens como preços menores e mais facilidade de comparação de valores .

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