Lacerda articula, dá garantias e elege Wellington Magalhães

Prefeito de Belo Horizonte visita vereadores em hotel, impõe nome e promete retribuir

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

Sombra. 

Léo Burguês não conseguiu viabilizar um nome para enfrentar Wellington Magalhães no pleito
MOISES SILVA / O TEMPO
Sombra. Léo Burguês não conseguiu viabilizar um nome para enfrentar Wellington Magalhães no pleito

A articulação do prefeito Marcio Lacerda (PSB) durante a “concentração” organizada pelo candidato da base, Wellington Magalhães (PTN), foi decisiva para sua vitória na eleição à presidência da Câmara de Belo Horizonte ontem. Ele concorreu em chapa única, já que Juninho Paim (PT) e Orlei (PTdoB) retiraram as candidaturas. Em quatro anos, Magalhães saiu do status de vereador cassado e consegue assumir o posto mais importante da Casa.  

A chegada ao comando passou de forma direta pelas mãos de Lacerda que, na noite de anteontem, se reuniu por mais de três horas com 26 vereadores aliados à base. O grupo ficou confinado em um hotel desde a véspera da eleição, como mostrou com exclusividade O TEMPO.

Segundo fontes que participaram do encontro que antecedeu a disputa, Lacerda afirmou textualmente que “a base será tratada como base, e os adversários como adversários”. O prefeito também trocou a fidelidade ao nome de Magalhães pela ajuda na reeleição dos vereadores. O pleito de 2016 é a principal preocupação nos corredores da Casa, que anda com uma imagem pra lá de arranhada diante dos belo-horizontinos.

Além dos 26 vereadores e de Lacerda, participou do jantar o secretário de Assuntos Institucionais, Marcelo Ab-Saber. “O prefeito disse que as pessoas que estavam ali estavam na nova estratégia política dele, que vamos participar do seu processo administrativo, e que ele irá compartilhar a execução de obras com a gente”, disse um dos vereadores.

Trocando em miúdos, Lacerda, deixou claro que irá retribuir o apoio concretizando e dando prioridade às obras que estejam na base dos aliados. “Nada mais justo do que se você indicou a obra que participe da inauguração e tenha visibilidade”, revela outro ponto acordado durante o confinamento no hotel.

De acordo com outra fonte, os colegas reclamaram com Lacerda que nomes “nem tão fiéis assim estavam sendo contemplados”. Foi aí que ouviram a garantia que haverá diferenciação no tratamento nos dois últimos anos de governo. “Colocamos para ele que vamos caminhar em grupo, mas precisamos de retorno de forma objetiva”, disse outro parlamentar.

Lacerda afirmou que quer uma base com 30 nomes. Outro parlamentar disse que a presença do prefeito foi fundamental para evitar a fuga de colegas para a chapa de Paim que assediou de forma veemente a base, inclusive na madrugada.

“Lacerda deu credibilidade ao que o Wellington já havia falado. Ele foi decisivo para a definição da Mesa Diretora. Havia divisões, e não podíamos correr o risco de um racha que poderia gerar a fuga de dissidentes”, revelou um terceiro vereador.

A “operação” só terminou minutos antes da abertura da sessão. O secretário Marcelo Ab-Saber foi à Câmara e se reuniu com todos os vereadores que haviam declarado apoio a Magalhães no plenário ao lado do que aconteceria a votação. “Ele veio ver se estava tudo como o combinado. Claro que foi uma forma de pressão”, disse um vereador sob anonimato.

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