Mapa do DNA pode mudar a história da evolução das aves

Grupo internacional de cientistas realizou o sequenciamento do genoma de 45 espécies

iG Minas Gerais |

“Big-bang”. O estudo fortalece a teoria de que as aves se diversificaram em muitas espécies em período considerado curto, entre 10 e 15 milhões de anos, após a extinção dos dinossauros
JOE BRYKSA
“Big-bang”. O estudo fortalece a teoria de que as aves se diversificaram em muitas espécies em período considerado curto, entre 10 e 15 milhões de anos, após a extinção dos dinossauros

São Paulo. Um grupo internacional de cientistas sequenciou o genoma de 45 espécies de aves, em um esforço sem precedentes para redesenhar a "árvore da vida" dos pássaros. O projeto, que envolveu centenas de pesquisadores de 20 países ao longo de quatro anos, teve os resultados divulgados ontem, em 29 artigos científicos publicados simultaneamente, oito deles em uma edição especial da revista “Science”.  

Supercomputadores foram usados para analisar a enorme quantidade de dados. Os resultados revelaram como vários ramos da família das aves divergiram em diferentes espécies, o que deverá ajudar a responder antigas questões sobre a evolução a partir dos dinossauros.

Segundo um dos cientistas que participaram do projeto, o brasileiro Claudio Mello, da Universidade de Ciência e Saúde do Oregon (Estados Unidos), pela primeira vez, dezenas de espécies foram sequenciadas dentro de um mesmo grupo de vertebrados.

Ele afirma que a quantidade de dados obtidos permitiu traçar a árvore da vida (ou árvore filogenética) com confiabilidade inédita.

“As aves são um dos grupos mais diversos que existem, com cerca de dez mil espécies. Essa diversidade tornava complexa a tarefa de entender as relações entre elas e, por isso, até hoje não tínhamos uma árvore filogenética confiável”.

De acordo com Mello, ao acessar os dados genômicos completos de pelo menos uma ave das principais linhagens, foi possível reorganizar a árvore e compreender o parentesco entre as espécies.

novas classificações. “A árvore da vida era baseada na similaridade de traços observados nas espécies, agrupando aves de rapina, aves aquáticas e assim por diante. Com os dados, conseguimos ver que várias classificações estavam erradas”, explica o pesquisador.

O estudo fortalece a teoria do “big-bang” da evolução das aves, que se diversificaram em muitas espécies em período considerado curto, entre 10 e 15 milhões de anos, após a extinção dos dinossauros, há cerca de 70 milhões de anos.

“Muitos ramos surgiram quase simultaneamente. Isso aumentava a dificuldade para organizar a árvore evolutiva das aves. Agora, temos dados confiáveis que deverão gerar muitas descobertas nos próximos anos”.

Genes do canto

No cérebro humano. Em um artigo na revista “Science”, o grupo de cientistas brasileiros – liderado por Claudio Mello, Maria Paulo Schneider, da Universidade Federal do Pará (UFPA), e Francisco Prosdocimi, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – mapeou os genes dos três grupos relacionados ao aprendizado vocal e os comparou com os marcadores do cérebro humano que controlam a fala. “Muitos dos genes ligados ao canto do passarinho estão também nas áreas do cérebro humano responsável pela fala”, explicou o cientista Claudio Mello.

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