Projeto malhação

Um novo ano se aproxima e, com ele, as promessas de iniciar uma vida mais ativa e saudável. Atentas, as academias lançam novidades e até opções para quem não tem tempo

iG Minas Gerais | Priscila Brito |

O balé foi adaptado para as salas de ginásticas pela bailarina Betina Dantas
Flávio Teperman/Divulgação
O balé foi adaptado para as salas de ginásticas pela bailarina Betina Dantas

Do que você precisa para deixar a preguiça de lado e encarar pra valer uma rotina de exercícios a partir de 2015? Se a falta de tempo e o tédio repetitivo da musculação costumavam ser as razões para adiar o início de uma vida mais ativa, um aviso: essas desculpas já não servem mais. Cheias de novidades, as academias oferecem aulas de apenas 20 minutos, uma variedade de treinos funcionais e até balé para atrair quem ainda resiste em malhar ou quem quer sair do básico.

Na linha do “fast fitness”, uma das apostas é o Ki Ai Express, que pega carona não só na necessidade de curto tempo de duração, como também no fenômeno do MMA. As aulas duram somente 20 minutos e colocam o aluno para trabalhar em um circuito de 24 estações que simulam movimentos de luta: judô, box, jiu-jitsu, capoeira. “Essa aula faz um trabalho cardio-respiratório e aeróbico – aquele que ajuda a queimar calorias. Há também fortalecimento muscular”, detalha Bia Bicalho, coordenadora de aulas coletivas da academia Bodytech. Apesar do pouco tempo de treino, ela garante que os resultados são efetivos, pois as aulas são intensas e com alto gasto calórico, mas a associação com outras atividades também é recomendada.

Em 20 minutos também é possível fazer um trabalho aeróbico menos monótono que aquele que se faria no mesmo tempo sobre uma esteira. São agachamentos, flexões e outros movimentos que usam apenas o peso do corpo para estimular o gasto calórico e melhorar o condicionamento físico, na aula batizada de 20 Minutes Workout. “Mesmo sem sobrecarga é possível fazer um trabalho bastante intenso”, afirma Bia.

treino campeão

Queridinho do momento nas academias, o treinamento funcional ganha ares de novidade com novos aparelhos que prometem multiplicar as possibilidades de exercícios. O foco continua o mesmo: ganhar força e condicionamento trabalhando movimentos básicos exigidos no dia-a-dia, como saltar, agachar, empurrar e puxar, receita que tem atraído gente anônima, mas que também é o segredo adotado por campeões, como a tenista russa Maria Sharapova e a seleção alemã de futebol.

No Funcional Fit, uma espécie de “gaiola”, na comparação feita pelo coordenador fitness da academia Malhação, Emerson Alves, o aluno pode fazer dezenas de exercícios. “Dá para trabalhar saltos, movimentos em suspensão, movimentos que simulam remo”, enumera. Uma aula dura 45 minutos.

No mesmo estilo multi-uso, o Sinergy 360º também oferece exercícios funcionais em 15 estações em formato de circuito. Entre os apetrechos para estimular o movimento do corpo, cama elástica, bolas e até cordas navais. “Com as cordas, o aluno trabalha principalmente costas e braços, esticando a corda para cima e para baixo. A corda não é leve, então há muito esforço”, explica Igor Ravaiani, coordenador fitness da academia Bodytech.

Os profissionais de academias ouvidos na reportagem não precisaram a queima calórica em aulas de Ki Ai Express, no Funcional Fit ou no Sinergy 360º. Eles afirmam que o gasto de calorias varia de acordo com o condicionamento de cada um e com o nível de exigência do exercício realizado.

De sapatilha e de polaina Ultrapassando a fronteira dos gêneros populares transformados em atividade aeróbica – caso do axé e da lambada –, o balé surge como nova opção para trabalhar o corpo com movimentos de dança.

Dentro da academia, a dança clássica atende pelo nome de balé fitness, que já caiu nas graças de famosas como a top franco-sueca Sigrid Agren e a australiana Miranda Kerr, ambas “angels” da Victoria's Secret, a apresentadora Sabrina Sato e a atriz Sheron Menezes. “É um circuito que mescla os passos do balé clássico com movimentos de ginástica, como agachamento, abdominais, e aeróbicos”, esclarece a bailarina Betina Dantas, criadora da modalidade aqui no Brasil.

As aulas ajudam a trabalhar equilíbrio, postura e dão definição ao corpo. “O corpo fica com o físico mais harmônico e delicado, não fica com aquele aspecto trincado da musculação”, assegura a bailarina.

O gasto calórico não fica para trás na lista de benefícios. Segundo Betina, monitoramentos mostraram que uma hora de aula pode queimar cerca de 700 calorias. Testes que compararam 30 minutos de exercícios da modalidade em nível avançado e 30 minutos de corrida na esteira apontaram maior queima de gordura na aula inspirada no balé.

Para entrar no clima da dança, os exercícios de barra são feitos ao som de música clássica, mas não é pré-requisito saber o que plié, tendu e passé significam para começar a praticar a atividade. “Essa aula é para qualquer mulher. Aquela que nunca ouviu falar dos passos do balé pode ficar perdida no início, mas depois de um mês ela já estará acostumada. Além disso, os exercícios são fáceis de se reproduzir, com muitas repetições”, garante. Betina alerta apenas para que aquelas que têm problemas nos joelhos e lombar evitem alguns movimentos do circuito de exercícios. Obrigatório mesmo é o figurino à caráter: sapatilhas e polaina. Mas não é (só) para fazer charme. “É para aquecer o tornozelo e o pé. Muitos movimentos são feitos com a meia-ponta e há risco de se machucar caso essas partes não estejam aquecidas”, explica. (PB)

Treino de longe ou de perto 

As revolucionárias fitas de VHS com exercícios de ginástica comandados por Jane Fonda, que transformaram qualquer espaço em academia dos anos 1980, ganharam uma nova versão na era da mobilidade tecnológica e da interatividade.

Com um computador e uma conexão à internet, é possível ter aulas de balé fitness (modalidade que mistura a dança clássica e exercícios de ginástica) com a mesma bailarina que treinou a atriz Natalie Portman para seu papel no filme “Cisne Negro”, direto de Nova York. Ou, ainda, seguir um programa de exercícios criado por um personal trainer aqui no Brasil via vídeo conferência.

Os treinos “sob-demanda” e à distância miram em quem precisa que o tempo de atividade física se adeque à rotina corrida, e não o contrário, ou em quem acha mais prático se exercitar em casa, na praça ou na academia do prédio. A partir de US$ 40 (cerca de R$ 100), por exemplo, é possível ter acesso às aulas de Mary Helen Bowers, a instrutora de Portman, com direito a interação com a professora, cujo estúdio de “ballet beautiful” (o nome que Bowers deu à variante do ballet fitness) fica nos Estados Unidos.

Também pela internet é possível seguir todos os procedimentos necessários para se iniciar um treinamento em uma academia tradicional: fazer a avaliação física, expor os objetivos do treino, escolher um personal trainer e, por fim, receber o programa de exercícios.

A partir do momento em que as atividades se iniciam, é possível agendar vídeo conferências com o personal para tirar dúvidas e, periodicamente, checar o progresso do treino. “Tentamos fazer com que a atividade seja integrada à rotina da pessoa com soluções práticas e viáveis”, explica o empresário Marcos Bortolato, um dos sócios da AKDminha, que aposta neste modelo de academia virtual. Lançada neste ano no Brasil, a plataforma tem alunos em cidades do nordeste, sudeste e sul, e também brasileiros que vivem nos Estados Unidos.

Dentre as soluções viáveis podem estar a elaboração de um treino que aproveita equipamentos à disposição do aluno, como os já existentes na academia do prédio, mas é possível adquirir apetrechos de ginástica. A rotina de exercícios também é montada conforme os objetivos de cada um – hipertrofia, emagrecimento, alívio de lesão – e o tempo disponível.

“O personal pode, por exemplo, propor ao aluno o desafio de dar oito mil passos ao longo do dia, aproveitando a caminhada para o trabalho, ou a hora de subir uma escada. Ou pode também sugerir uma atividade de alta intensidade que dura dez minutos e pode ser feita em casa”, exemplifica Bortolato.

Individualidade

Na outra ponta dos novos modelos de espaços para atividade física estão os estúdios. Aluno e professor estão juntos “ao vivo e em cores”, como nas academias tradicionais, mas o foco é no atendimento individualizado e em turmas pequenas. Uma turma de no máximo cinco alunos tem a orientação de dois profissionais de educação física, por exemplo.

“Um dos princípios do treinamento é a individualidade biológica. A ideia é procurar entender a vivência que o aluno tem da atividade, as limitações e os pontos a serem trabalhados para que ele melhore o rendimento”, explica o educador físico Arthur Lira, do Studio Treine.

A filosofia vale tanto para iniciantes em atividades físicas quanto para os chamados “profissionais atletas”, quem já faz treino de musculação e pratica alguma modalidade esportiva com frequência ou pretende atingir esse status.

“Se o objetivo é passar a correr e participar de uma corrida de rua, é possível montar um treinamento que vai trabalhar músculos específicos que são acionados durante a corrida, além de focar na melhora da capacidade aeróbica. A mesma metodologia pode ser aplicada para quem quer começar a treinar futebol, natação, ou ciclismo, por exemplo. É praticamente um estudo de caso que se faz do aluno”.

 

 

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave