Quem tem boca vai a Roma

iG Minas Gerais | Jessica Almeida |

Músicos de BH se mobilizam para apoiar a ida do compositor Sérgio Rodrigo para uma das maiores escolas de música do mundo na Itália
Daniel Silva/Divulgação
Músicos de BH se mobilizam para apoiar a ida do compositor Sérgio Rodrigo para uma das maiores escolas de música do mundo na Itália

É bastante claro na memória do compositor Sérgio Rodrigo o momento em que a composição se abriu diante dele como um campo de possibilidades: foi durante o 4º Encontro de Compositores e Intérpretes Latino-Americanos realizado pela Fundação de Educação Artística, da qual era aluno, em 2002. “Por uma semana, a fundação parou e virou um grande palco da música contemporânea latino-americana. Fiquei super impactado de ouvir pela primeira vez um repertório muito diferente e diversificado. Também pela primeira vez essa fantasia de entrar no mundo da composição apareceu de uma forma nítida para mim”, lembra. Pouco mais de uma década depois, um repertório consistente e alguns prêmios em festivais dentro e fora do Brasil, ele acaba de ser admitido pela Accademia Nazionale di Santa Cecilia, na Itália. Sérgio será o primeiro brasileiro a ingressar no programa de aperfeiçoamento de composição musical da instituição, que é uma das escolas de música mais antigas e prestigiadas do mundo. Para ajudá-lo a se manter no exterior, já que, por ora, o compositor não receberá nenhuma bolsa de estudos, será realizado o concerto “Piano Piano si va Lontano”, na próxima terça (13), em homenagem e como forma de arrecadar fundos para a permanência do compositor mineiro em Roma. Panorama A ideia da apresentação é fazer um panorama de sua produção recente, com obras importantes, premiadas, algumas delas tocadas em BH pela primeira vez. “São peças diversificadas, para formações diferentes, como quarteto de violões, piano solo e violoncelo e percussão. É uma despedida e uma ocasião especial porque vou poder mostrar minha obra de maneira mais vasta, o que é difícil de acontecer já que no universo da música erudita a fila de compositores a terem obras nos concertos é gigantesca, o espaço é muito disputado”, diz o músico. Nascido em Diamantina, Sérgio Rodrigo vem de uma família de músicos. “O violão foi meu primeiro instrumento, ganhei muito menino, não sabia nem ler direito. Também ‘batucava’ piano na infância, porque tinha em casa. Esse período foi de uma vivência muito prática da música, tanto pelo ambiente familiar quanto pela cultura da cidade, onde havia muita música na rua, serenatas, chorinho, nas cerimônias religiosas”, conta. Aos 14 anos, ele se mudou para Belo Horizonte e aqui começou sua trajetória do ponto de vista formal. “Foi o momento de dar nome a muitas coisas que eu tinha experimentado antes”, diz. Som e sentido A dimensão sinestésica do som é algo que Sérgio busca explorar em seu trabalho. “Gosto de brincar com a cor do som, com sua textura. Existe um lugar em que os sentidos se confundem e, quando se aproxima um do outro, nossa experiência estética se potencializa”, explica. “Em muitas das minhas músicas, eu tento criar uma situação de fluidez, como se ouvi-la fosse como a experiência de estar debaixo d’água” Piano Piano si Va Lontano Concerto em homenagem e apoio ao compositor Sérgio Rodrigo Fundação de Educação Artística (r. Gonçalves Dias, 320, Funcionários, 3226-6866). Dia 16 (terça), às 20h. Ingressos entre R$ 50 ou R$ 500. Venda antecipada www.sergiorodrigo.net

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