Italianos param o país em greve contra política econômica

Houve confrontos entre polícia e manifestantes em três cidades

iG Minas Gerais |

Bombas. Manifestantes e policiais entraram em confronto ontem durante a manifestação em Milão
GIUSEPPE CACACE
Bombas. Manifestantes e policiais entraram em confronto ontem durante a manifestação em Milão

ROMA, ITÁLIA. Milhares de pessoas fizeram protestos nesta sexta na Itália durante uma greve geral contra as reformas econômicas e sociais do primeiro-ministro Matteo Renzi, que tenta impor um ritmo intenso para tirar o país da crise econômica, apesar da pressão dos sindicatos.

As manifestações foram realizadas em mais de 50 cidades italianas, e em algumas delas, como Milão, Turin e Roma, foram registrados confrontos entre os manifestantes e as forças policiais.

A greve começou às 8h (6h no horário de Brasília) e foi convocada pela CGIL, a principal confederação sindical italiana, e pela UIL, que é a terceira maior do país.

O principal motivo de protesto é a chamada “Jobs Act”, que é a reforma do mercado de trabalho adotada na semana passada, que facilita as demissões e reduz os direitos e a proteção dos salários nos primeiros anos de contrato.

Os sindicatos também denunciam o projeto de orçamento para 2015, por considerarem que as medidas de reativação da economia são insuficientes.

A paralisação afetou serviços básicos como transporte público, escolas e bancos. Metrô e ônibus cumpriram apenas o serviço mínimo garantido por lei nas horas de pico. Dezenas de voos foram cancelados ou reprogramados nos principais aeroportos do país.

Para evitar maiores estragos, a capital Roma abriu o centro da cidade a todos os veículos, e não apenas para aqueles com permissão especial, como acontece geralmente em casos de protestos e confusões.

Segundo fontes sindicais, cerca de 70 mil manifestantes reuniram-se em Turin e na capital, Roma, cerca de 40 mil foram para as ruas protestar. Milão e Nápoles tiveram 50 mil manifestantes nas ruas em cada uma delas. Até o fechamento desta edição, ainda não havia sido divulgado um balanço de feridos nos confrontos.

A última greve geral na Itália foi em 2011. Matteo Renzi mantém relações tensas com os sindicatos desde a sua chegada ao poder. Ele reduziu o peso desses grupos nas negociações sobre os projetos do governo italiano.

Recessão Desemprego.O desemprego na Itália é um dos mais elevados da Europa. De acordo com economistas, três recessões seguidas provocaram o fechamento de 80 mil empresas no país.

Matteo Renzi fala em ‘coragem’ Roma, Itália. “Se revisarmos as reformas, iremos nos condenar a um lento declínio. É preciso coragem para mudar as coisas”, declarou nesta sexta o primeiro-ministro Matteo Renzi à imprensa italiana. Durante a greve geral, ele fez uma viagem à Turquia. As centrais sindicais reagiram. “O governo comete um erro ao eliminar a discussão e a participação dos sindicatos na elaboração das leis”, afirmou Susanna Camusso, secretária da CGIL.

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