Após relatos de tortura, Dilma quer fortalecer militares

Na quarta-feira, Comissão da Verdade detalhou crimes da ditadura

iG Minas Gerais |

Rio. 
Dilma em solenidade de inauguração prédio principal do estaleiro de construção de submarinos
Roberto Stuckert Filho / PR
Rio. Dilma em solenidade de inauguração prédio principal do estaleiro de construção de submarinos

Rio de Janeiro. Dois dias após receber o relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV), que apurou crimes e violações de direitos humanos no período de 1946 a 1988, com foco na ditadura militar (1964-1985), a presidente Dilma Rousseff defendeu nesta sexta o fortalecimento das Forças Armadas brasileiras.

“O Brasil é um país pacífico, e assim continuará. Isso, no entanto, não significa descuidar de nossa defesa ou abdicar de nossa capacidade de dissuasão”, disse a presidente, tendo a seu lado o ministro da Defesa, Celso Amorim, e os comandantes das três organizações militares: Marinha, Exército e Aeronáutica.

A presidente participou da inauguração do prédio principal do estaleiro de construção dos submarinos, integrante do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), onde foi recebida cordialmente pelos militares e aplaudida de pé pelo menos duas vezes por todos os presentes.

Acompanhada também pelo governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, e pelo diretor-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, Dilma ressaltou que a modernização das Forças Armadas é um passo de um “necessário e estratégico processo”.

Representavam ali as autoridades militares o comandante da Marinha, almirante Julio Soares de Moura Neto, o comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro Juniti Saito, e o comandante do Exército, general Enzo Peri.

Comissão da Verdade. O relatório final da Comissão Nacional da Verdade foi divulgado na quarta-feira e responsabilizou 377 pessoas pelas violações de direitos humanos durante a ditadura. Todos os presidentes do Regime Militar são citados: Humberto Castelo Branco, Arthur da Costa e Silva, Emílio Médici, Ernesto Geisel e João Batista Figueiredo. Foram identificados 191 mortos e 243 desaparecidos. O relatório foi entregue à presidente Dilma Rousseff na presença de parentes das vítimas do regime militar.

Submarinos

Marinha. O programa Prosub vai construir cinco submarinos, sendo um deles com propulsão nuclear. Eles custarão R$ 22 bilhões. O primeiro deles será testado em 2023 e será entregue em 2025.

‘CNV cumpriu seu papel’, diz oficial Rio de Janeiro. O comandante da Marinha do Brasil, almirante Julio Soares de Moura Neto, disse nesta sexta que a Comissão da Verdade “cumpriu o papel dela”. O relatório da CNV, porém, não foi tratado. “É realmente a primeira vez que encontramos com a presidente (depois do relatório), e esse assunto não foi tocado com ela. As Forças Armadas estão aguardando o que ela disse, que ela vai se debruçar sobre o relatório. Talvez saiam algumas orientações e determinações”, afirmou o oficial da Marinha.

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