Ações da Petrobras fazem Bovespa despencar ainda mais

Escândalos provocam desvalorização forte das ações da estatal e Bovespa recua 3,73%

iG Minas Gerais |

Petrobras. 
Ações da estatal caíram 5,82% ontem e atingiram o menor valor desde 11 de agosto de 2004 e a tendência é de mais queda
João Lêus
Petrobras. Ações da estatal caíram 5,82% ontem e atingiram o menor valor desde 11 de agosto de 2004 e a tendência é de mais queda

SÃO PAULO. A forte aversão ao risco no exterior agravada pela derrocada das ações da Petrobras levou o principal índice da Bolsa brasileira a fechar em queda ontem, na sua pior semana desde maio de 2012. O desempenho também refletiu na alta do dólar, que chegou a operar acima de R$ 2,67 no dia, mas amenizou o avanço durante a tarde. Fechou com avanço de 0,14%, a R$ 2,651 na venda. Foi a terceira alta seguida. Com isso, a moeda norte-americana se mantém com o maior valor desde 1º abril de 2005, quando valia R$ 2,66. O dólar acumula valorização de 2,23% na semana. É a terceira semana seguida de alta. No mês, a moeda soma ganhos de 3,1% e, no ano, de 12,46%. Na véspera, a moeda norte-americana havia subido 1,34%.  

O Ibovespa perdeu 3,73% no dia, para 48.001 pontos – menor nível desde 26 de março, quando atingiu 47.965 pontos. O giro financeiro foi de R$ 6,56 bilhões. Na semana, o índice recuou 7,68%. É o pior desempenho semanal desde o período entre 14 e 18 de maio de 2012. Apenas em dezembro, a desvalorização chega a 12,28%. Boa parte da perda é refletida nas ações da Petrobras, que caíram pelo quinto dia ontem após o jornal “Valor Econômico” revelar que uma gerente da companhia advertiu a atual diretoria de uma série de irregularidades em contratos da empresa muito antes do início da Operação Lava Jato.

Partidos de oposição se manifestaram a favor da demissão da presidente da empresa, Graça Foster. As ações preferenciais da Petrobras, sem direito a voto, fecharam o dia valendo R$ 10,19 cada uma, após caírem 5,82%. É o menor preço dos papéis desde 11 de agosto de 2004, quando custavam R$ 10,09. Já os papéis ordinários da petroleira, com direito a voto, cederam 5,98%, para R$ 9,44 – mais baixa cotação desde os R$ 9,27 registrados em 8 de dezembro de 2003.

Câmbio. A valorização do dólar ante outras divisas internacionais, ontem, refletiu indicadores econômicos dos EUA pela manhã, que vieram melhores que o esperado, além da queda do petróleo, que pressionou principalmente as moedas ligadas a commodities. As vendas no varejo subiram 0,7% em novembro, na comparação com outubro, superando projeções de alta de 0,4%. No mercado de trabalho norte-americano, um relatório apontou que o número de pedidos de auxílio-desemprego caiu 3.000 na semana passada, a 294 mil, ante expectativa de 300 mil solicitações. A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) de dezembro, divulgada quinta, também influenciaram na alta do dólar.

Acentuado Em pontos. A Bovespa despencou nesta semana quase 4.000 pontos, em meio a um forte movimento de aversão ao risco no exterior e de desconfiança com a economia brasileira e o efeito Petrobras.

CVM investiga estatal em seis processos RIo de Janeiro. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apura em seis processos administrativos os fatos recentes envolvendo a Petrobras. A investigação da xerife do mercado brasileiro envolve as denúncias da operação Lava Jato, eventuais pagamentos irregulares à SBM Offshore, a política de preços adotada pela estatal e irregularidades na refinaria Abreu e Lima e no Comperj. Além dos passos da Polícia Federal e Ministério Público Federal (MPF), a autarquia monitora as diligências internas adotadas pela petroleira.

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