Hong Kong volta à normalidade com despejo de protestos pró-democracia

No entanto, alguns não escondiam sua amargura nesta sexta-feira (12) pelo fracasso das manifestações, que contavam com um forte apoio popular no início

iG Minas Gerais | Folhapress |

Hong Kong retornou à normalidade nesta sexta-feira (12) com as vias livres, após a retirada dos manifestantes pró-democracia que ocupavam há mais de dois meses o centro da ex-colônia britânica.

A polícia desmantelou as barricadas, destruiu os acampamentos e deteve mais de 200 manifestantes que permaneciam no principal acampamento da cidade desde o fim de setembro, apesar da ordem de retirada.

A operação, realizada por centenas de policiais no bairro de negócios de Admiralty, próximo à sede do governo, colocou fim à maior crise política de Hong Kong desde sua devolução, em 1997, à China.

Os manifestantes, em sua maioria estudantes e jovens trabalhadores, exigiam a instauração de um verdadeiro sufrágio universal e denunciavam o controle por parte de Pequim dos candidatos ao posto de chefe do executivo local.

As autoridades chinesas não fizeram nenhuma concessão a respeito destas reivindicações. Já os manifestantes se comprometeram a prosseguir com a luta de outra maneira. "Voltaremos. Não é o fim do movimento", disse a deputada Claudia Mo. "O despertar da consciência política da juventude é irreversível e o combate prossegue."

No entanto, alguns não escondiam sua amargura nesta sexta-feira (12) pelo fracasso das manifestações, que contavam com um forte apoio popular no início. "Estou muito deprimido", afirmava Kim Lo, um trabalhador do setor imobiliário de 34 anos. "Agora devemos pensar o que queremos. Não penso que devamos voltar às ruas no momento".

Benny Tai, líder do grupo Occupy Central e partidário em um primeiro momento de ocupar os bairros estratégicos, também rejeitava a perspectiva de um acampamento em um futuro próximo. "Irão ocorrer novas ações de resistência", acrescentou.

"Estou feliz que acabou, eu posso tomar um fôlego", disse Sammy Wu, 60, que é dono de uma loja ao lado do principal local de protesto. "Nosso negócio caiu 50% durante o período da ocupação."

Editor preso

Um magnata de imprensa de Hong Kong, Jimmy Lai, um crítico de Pequim, deixou o cargo de editor do popular Apple Daily depois de ser preso por se recusar a deixar o local de protestos na quinta. A emissora pública RTHK disse nesta sexta que todos os presos, incluindo Lai, tinham sido liberados.

Eleições livres

Os protestos começaram em setembro, quando as autoridades comunistas chinesas insistiram que os candidatos das eleições locais de 2017 devem ser aprovados antes por um comitê oficial. Estudantes saíram às ruas para denunciar o que consideram uma farsa eleitoral.

Na sequência, outras demandas foram apresentadas, como a crescente desigualdade econômica na sociedade de Hong Kong. As manifestações, que em alguns momentos provocaram confrontos com a polícia, contaram com a participação de até 20 deputados da Assembleia local de Hong Kong.

Outro acampamento, no distrito de Mongkok, na parte continental de Hong Kong, foi desmantelado no fim de novembro.

No ápice, o movimento reuniu dezenas de milhares de pessoas nas ruas da cidade, mas o apoio popular diminuiu consideravelmente por causa dos problemas causados pela ocupação das vias da cidade.

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