Surfistas de Pipeline mantêm tradição de implicar com estrangeiros

Havaianos têm o local como uma casa, um espaço fechado, que só entram os "mais chegados"

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

Para ser campeão mundial na próxima semana, o brasileiro precisa chegar na final da etapa de Pipeline, no Havaí
Divulgação/ Gabriel Medina
Para ser campeão mundial na próxima semana, o brasileiro precisa chegar na final da etapa de Pipeline, no Havaí

Dia de sol e ótimas ondas. Tempo perfeito para surfar na praia de Pipeline, no Havaí. Mas nem para todo mundo. Aproveitar as ondas naquela que é considerada a "meca" do surfe requer mais do que coragem e experiência. Requer respeito.  Os havaianos têm o local como uma casa, um espaço fechado, que só entram os "mais chegados". Se um surfista novo e desconhecido chegar para surfar, muito provavelmente vai arranjar confusão com os locais, que dominam a área. "A gente nunca entra [no mar] sossegado aqui. É muito difícil treinar. São bairristas demais", conta o surfista brasileiro semiprofissional Christiano Paiva Neto, que já discutiu com locais no Havaí. Até mesmo Gabriel Medina, 20, que luta para se tornar o primeiro campeão brasileiro mundial de surfe, já admitiu, há um tempo, que um dia teve que sair do mar por causaipe da implicância dos locais. Hoje, com status e respeito, já não tem grandes problemas. Em 2007 o surfista brasileiro Neco Padaratz, 38, foi agredido pelo havaiano Sunny Garcia, 44, durante a etapa de Pipeline daquele ano. "Eu nunca tive problema pessoal, mas já ouvi algo como 'brasileiros, saiam da água'. De todos os lugares, a questão do localismo no Havaí é a mais complicada. É onde mais se tem isso", afirmou Teco Padaratz, 43, irmão de Neco. Um grupo famoso que defende o localismo é o Da Hui, fundado em 1976 e que luta contra o desrespeito dos estrangeiros nas praias do Havaí. O patriarca é Eddie Rothman, o principal incentivador do localismo. Em outubro deste ano, por exemplo, Rothman ameaçou a ASP (Associação de Surfistas Profissionais) de não permitir a realização da última etapa do Mundial, em Pipeline, por causa de uma mudança no regulamento. Em todas as etapas do Mundial, dois surfistas são convidados para participar. No Havaí, porém, era costume dar vaga a oito surfistas. Neste ano, a ASP decidiu padronizar e reduziu o número de convidados havaianos para dois. Rothman bateu o pé, xingou, chamou pela comunidade havaiana, mas, no fim cedeu. Apesar disso, o localismo continua bem vivo no Havaí.

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