Após 14 anos, mandado de prisão para detetive particular é expedido

Corpo da jovem de 24 anos foi exumado e comprovou o homicídio após a Polícia Civil afirmar que jovem havia suicidado; possibilidade de queima de arquivo por envolvimento com políticos tornou caso bastante conhecido

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Em sessão de mais de 13 horas de duração, jurados acatam tese da acusação de que Cristiana Aparecida Ferreira foi assassinada e condenam ex-namorado, que já adiantou que recorrerá da sentença
BRUNO FIGUEIREDO/O TEMPO
Em sessão de mais de 13 horas de duração, jurados acatam tese da acusação de que Cristiana Aparecida Ferreira foi assassinada e condenam ex-namorado, que já adiantou que recorrerá da sentença

Foi expedido pela Justiça nesta quinta-feira (11) o mandado de prisão em nome do detetive particular Reinaldo Pacífico de Oliveira Filho, que em agosto de 2000 assassinou a sua ex-namorada, a modelo Cristiane Aparecida Ferreira, em um flat localizado na região Centro-Sul de Belo Horizonte. O processo dele já transitou em julgado e agora não cabe mais recurso, ainda de acordo com a assessoria do Fórum Lafayette.

Conforme o órgão, ele foi condenado em janeiro de 2009 a 14 anos de prisão, porém, conseguiu recorrer da decisão em liberdade por não  ter antecedentes criminais. Filho ainda não é considerado foragido da Justiça, já que ainda falta ser intimado por um oficial e o mandado ser encaminhado à Polícia Civil, que deverá cumprí-lo. 

Cristiane foi encontrada morta no apartamento 1.601 do San Francisco Flat Service, na região Centro-Sul de BH, em 6 de agosto de 2000. Em princípio, a polícia afirmou que a modelo havia cometido suicídio, mas, em dezembro de 2002, com a exumação do corpo da ex-modelo, ficou comprovado que ela havia sido morta por asfixia.

Ao longo dos anos, familiares e os advogados da vítima chegaram a expor que o caso poderia se tratar de uma queima-de-arquivo, já que ela tinha "carta branca no governo e acesso a vários recintos. Fazia coisas na inocência e, quando descobriu o que era, foi assassinada", conforme anunciado durante o julgamento por um irmão da modelo. 

Ex-governador foi testemunha

No júri popular, uma das várias testemunhas ouvidas foi o ex-governador do Estado, Newton Cardoso, que assumiu ser dono de apartamento no mesmo andar do flat onde Cristiane foi encontrada morta, mas negou ter conhecido a vítima. Cardoso disse que apenas a viu uma vez, no Palácio da Liberdade, em companhia do então governador Itamar Franco e do secretário de Estado de Governo, Henrique Hargreaves.

O ex-governador sugeriu que a Justiça ouvisse Itamar Franco e se irritou ao ser perguntado se era amante da jovem ou se soubesse de relações dela com Hargreaves, com o ex-ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia ou com o então presidente da Cemig, Djalma Morais. "Está achando que sou cafetino (sic)?", esbravejou o ex-governador ao ser indagado por advogados da acusação.

Apesar disso, o político chegou a afirmar que era conversa comum entre os funcionários da vice-governadoria de Minas que a vítima frenquentava constantemente o gabinete do vice-governador quando o cargo era ocupado por Mares Guia.