Dirigente da CBV nega não pagamento de bônus aos atletas

Neuri Barbieri afirmou, em entrevista ao Redação Sportv, que valores sempre foram ultrapassados pela CBV

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

Bruninho é uma das esperanças do Brasil chegar ao tetra
DIVULGAÇÃO - FIVB
Bruninho é uma das esperanças do Brasil chegar ao tetra

A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) pode estar vivendo o momento mais difícil de sua história. O trabalho do jornalista Lúcio de Castro, da ESPN Brasil, intitulado 'Dossiê Vôlei', deu origem a denúncias de diversas irregularidades na instituição. Tudo aconteceu durante a gestão de Ary Graça, hoje presidente da Federação Internacional de Vôlei (FIVB).

Sobrou para a atual direção, que assumiu a CBV há oito meses. Walter Pitombo Laranjeiras, o 'Toroca', é o novo presidente, trazendo com ele alguns nomes como de Neuri Barbieri, que atua como superintendente. Neuri admite as falhas que o relatório final da Controladoria Geral da União (CGU) apontou.

"O Ary fez um brilhante trabalho diante da CBV. Na sua posição atual, deve se defender. Mas ficou clara a terceirização de serviços com ligações pessoais e até de parentesco. Várias irregularidades foram constatadas", afirmou em entrevista, na manhã desta sexta-feira, ao Redação Sportv.

No entanto, Neuri discorda de alguns dados que foram divulgados. "O Marcelo Vangler, um dos nossos dirigentes, não recebe dois salários. Isso é uma inverdade. Outra coisa que não procede são os bônus que não foram pagos aos atletas", relata.

O relatório evidenciou que boa parte dos recursos que deveria servir de premiação para atletas e membros de comissões técnicas de seleções (adulta e de base) não chegaram ao seu destino.

"Poucos sabem, mas o combinado era de um pagamento de R$ 10 milhões por ano. A CBV sempre ultrapassou esse valor, já que tínhamos outros patrocinadores ao nosso lado. Até me surpreendeu o fato da relatório cometer um erro desta natureza", mostra. Assim que o relatório final foi divulgado, o Banco do Brasil, principal patrocinador da CBV, já anunciou a suspensão do pagamento dos contratos.  Neuri afirmou, ainda, que não ficou surpreso com os dados que foram divulgados. "Desde que assumimos, após essa crise, colocamos em prática várias mudanças que, inclusive, estão sendo sugeridas pela CGU. Já implementamos uma auditoria externa, temos um controle interno, além de já termos reduzido o quadro pessoal para adequações", salienta. 

Boca no trombone. Alguns jogadores de grande importância do vôlei nacional aproveitaram para se manifestar. "Não vamos nos calar", afirmou o levantador Bruninho, pelo Twitter.

"E nós atletas o que vamos fazer? Paralisar a Superliga? Ou vamos deixar como está? E os clubes vão assumir a gestão ou vão se calar?", indagou o central Gustavo, do Vôlei Canoas-RS.

Neuri não aprovou muito a atitude dos atleta. "O que eles fizeram até prejudica o vôlei", completou.