Carvalho defende cassação de Bolsonaro por quebra de decoro

"Ele feriu o decoro parlamentar e quebrou todas as regras de convivência. E não é apenas agora, ele reiterou uma postura que tem tido há muito tempo. Ele ofendeu uma colega de parlamento e as mulheres brasileiras", disse Carvalho

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

Planalto endurece o jogo e ameaça fazer cortes nas emendas parlamentares
José Cruz/ABr
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O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, afirmou nessa quinta-feira (11) que espera que o Congresso Nacional casse o mandato por quebra de decoro parlamentar do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ).

Segundo ele, o parlamentar carioca "extrapolou o bom senso" ao afirmar que não estupraria a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) porque ela "não merece".

"Ele feriu o decoro parlamentar e quebrou todas as regras de convivência. E não é apenas agora, ele reiterou uma postura que tem tido há muito tempo. Ele ofendeu uma colega de parlamento e as mulheres brasileiras", disse.

O deputado federal atacou a petista ao rebater discurso feito por ela no qual defendeu a Comissão Nacional da Verdade e as investigações de crimes da ditadura militar.

Na opinião do ministro, um representante do povo não pode ser "indutor da violência" e do "desrespeito à mulher".

Nesta quinta-feira (11), o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) informou que acionará a Procuradoria Geral da República contra o deputado federal.

O órgão público anunciou que também entrará com uma representação junto à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados para pedir a cassação do mandato.

O ministro participou nesta quinta-feira (11) do Arena Política de Participação Social, evento promovido pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo em parceria com o Conselho de Planejamento e Orçamento Participativos.

Em discurso, o ministro voltou a criticar o senador Aécio Neves (PSDB-MG), candidato à sucessão presidencial deste ano. Segundo ele, o PT enfrentou um candidato "muito frágil", com uma história "absolutamente frágil".

"Por que muitos brasileiros viraram as costas para o nosso projeto e se encaminharam para aprovar esse projeto? Desse ponto de vista, o Brasil se transformou quase em uma grande São Paulo, do ponto de vista do risco que nós corremos", avaliou.