Após meta fiscal, Calheiros pede dois ministérios 'de peso'

Principais candidatos são os senadores Eduardo Braga (AM), no caso de Minas e Energia, e Eunício Oliveira (CE), se Dilma decidir entregar a Integração Nacional

iG Minas Gerais | COM AGÊNCIAS |

Antonio Cruz/ABr – 3.7.2013
"O Senado resgata uma histórica dívida com o Brasil', declara Renan Calheiros

Principal fiador da aprovação da mudança da meta fiscal, o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), apresentou nesta quinta-feira (11) à presidente Dilma Rousseff a "fatura" do PMDB do Senado na reforma ministerial para o próximo mandato da petista. Em conversa privada no início da noite, Renan defendeu que a bancada seja contemplada com dois ministérios de peso político.

São cobiçadas pelo PMDB do Senado pastas como Minas e Energia, Cidades, Integração Nacional, Transportes e Turismo. Os principais candidatos são os senadores Eduardo Braga (AM), no caso de Minas e Energia, e Eunício Oliveira (CE), se Dilma decidir entregar a Integração Nacional. Além de pleitear dois desses ministérios, a bancada aceitou o pedido da presidente de considerar a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), uma neófita na legenda, como uma terceira nomeação na cota do Senado.

Na conversa, segundo relatos de cinco integrantes do PMDB ao Broadcast Político, Renan não apresentou a Dilma uma "lista" de ministeriáveis; ele apenas reafirmou que os senadores peemedebistas vão continuar apoiando Dilma em 2015. A avaliação de integrantes da cúpula da Câmara e do Senado é que as pastas que serão entregues precisam ter capilaridade e dar condições para que seus titulares tenham independência de atuação. Isso vale para a articulação com o Legislativo e também para a nomeação de cargos de escalão inferior dos ministérios, a chamada "porteira fechada".

A expectativa era de que a presidente anunciasse a participação do PMDB na Esplanada dos Ministérios nesta semana, depois da aprovação do projeto que alterou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deste ano e permitiu, na prática, o abandono do cumprimento da meta de superávit primário (a economia que o governo faz para o pagamento dos serviços da dívida pública). O PMDB, dono da maior bancada no Senado e da segunda mais numerosa na Câmara, foi quem garantiu a votação da proposta em tempo exíguo.

Contudo, a maior dificuldade de Dilma é fechar o espaço do PMDB da Câmara. A bancada entrou em rota de colisão com o Palácio do Planalto desde que o líder do partido, Eduardo Cunha (RJ), comandou uma rebelião que imprimiu derrotas para o governo. A contragosto do Planalto, Cunha quer presidir a Câmara pelos próximos dois anos.

Reservadamente, os deputados afirmam que não querem ter uma participação menor do que a do Senado. Eles pretendem emplacar na reforma ministerial o atual presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), derrotado na disputa ao governo do Rio Grande do Norte e cotado para a Previdência, e um segundo nome com mandato no ano que vem - a maior aposta é o deputado Pedro Paulo (RJ), ex-secretário da Casa Civil da prefeitura do Rio de Janeiro.

O principal nó para a bancada é abrigar a indicação do vice-presidente e presidente do PMDB, Michel Temer, que quer manter na Esplanada o atual secretário de Aviação Civil, Moreira Franco, e tornar ministro o deputado Eliseu Padilha (RS), que atuou na coordenação do PMDB na campanha de Dilma, mas não disputou a reeleição.

Eduardo Cunha não aceita incluir Moreira Franco, seu desafeto, na cota da Câmara. Além do mais, a bancada na Casa considera que apadrinhar dois nomes de Temer seria dar poder excessivo ao vice-presidente, contestado em seu próprio partido. Ele e Dilma teriam um encontro hoje (11) para tentar fechar a fatia do PMDB no rearranjo dos ministérios, mas o "nó" fez com que a conversa fosse adiada e ainda não há previsão para retomá-la.