Uma metamorfose em plena praça da Estação

Zélia Duncan, BNegão e Chico César apresentam, amanhã e domingo, suas versões para os clássicos do eclético Raul Seixas

iG Minas Gerais | Fábio corrêa |

Mesmo com o som calcado no hip hop, BNegão foi influenciado pelo lirismo e pela rebeldia do roqueiro baiano
LECO DE SOUZA/divulgação
Mesmo com o som calcado no hip hop, BNegão foi influenciado pelo lirismo e pela rebeldia do roqueiro baiano

A obra do baiano Raul Seixas, cuja morte completou 25 anos em 2014, marcou profundamente a música brasileira. Com sua mistura de Elvis Presley e Luiz Gonzaga – para ele, “almas gêmeas” –, Raulzito influenciou gerações de artistas, dos mais diferentes estilos.

Entre eles, estão Zélia Duncan e BNegão, que se apresentam amanhã na praça da Estação pelo festival “Toca Raul!” – que reúne diversos artistas em releituras do baiano.

O carioca, que toca com a banda Seletores de Frequência, vê muitas semelhanças entre seu trabalho, calcado no hip hop, e o de Raulzito. “Assim como o Seletores, Raul tinha um lado muito forte da fusão musical”, conta BNegão. Além da música, o rapper não hesita em apontar uma sintonia lírica com o roqueiro. “As letras dele também falam do social e do que há entre o céu e a terra, além da matéria. Sem esquecer o bom humor e o sarcasmo”, aponta.

BNegão conta que Raul Seixas entrou na sua vida “da forma mais louca possível”. Aos 9 anos, ele se deparou com “O Carimbador Maluco”, canção do baiano para o programa infantil “Plunct, Plact, Zuuum”. Na letra, o rapper se identificou com o espírito rebelde de Raul. “Achei clássico, dentro de uma parada infantil, ele colocar uma coisa completamente subversiva”, relembra. A partir daí, começou as trocar fitas K7 com um colega de escola e a devoção nunca mais acabou. Em 1989, ele ainda assistiria a última turnê de Raul Seixas, acompanhado do roqueiro Marcelo Nova – que se apresenta no domingo pelo “Toca Raul!”.

Quando o assunto é influência musical, Zélia Duncan concorda com BNegão. “Raul Seixas deixou sua marca singular, debochada e corajosa no pop rock, decisivamente”. Para ela, a reação do público no festival irá confirmar que o espírito do baiano continua vivo em suas músicas. “A galera vai cantar como se ele estivesse bem ali, na frente deles”, vislumbra. Quem estiver presente no show de amanhã poderá fazer coro nas versão da cantora para os clássicos “Ouro de Tolo”, “Maluco Beleza” e “Metamorfose Ambulante”.

Dinâmico. Além de Zélia Duncan e BNegão, as bandas Letuce e O Terno completam a programação de amanhã do evento. No domingo, é a vez de Lucas Santtana, Katia B, Chico César e Marcelo Nova – que acompanhou Raul Seixas na última turnê feita pelo cantor –, subirem ao palco da Estação.

Segundo o curador e diretor artístico, Luís Filipe de Lima, a ideia do “Toca Raul!” é montar um painel extenso e variado de releituras contemporâneas do roqueiro, que morreu em 21 de agosto de 1989. “É uma oportunidade mais que interessante pra gente dinamizar a obra dele e a contribuição que ele deu à música brasileira”.

O festival chega a Belo Horizonte após passagens por Brasília e São Paulo, com enorme sucesso de público. Segundo Luís, o evento tem recebido uma média de 35 mil pessoas por dia.

Além dos admiradores, o “Toca Raul!” também terá a presença da família Seixas. Vivi, DJ e filha de Raul, tocará, entre os shows, remixes de músicas do pai em versão house.

Tanto amanhã quanto no domingo, os shows começam às 17h, e a lotação é de 8.000 pessoas. Como os ingressos disponíveis na internet já se esgotaram, a organização disponibilizará mil entradas gratuitas por dia, em ordem de chegada, a partir das 15h30.

Serviço. Festival “Toca Raul!”, amanhã e domingo, a partir das 17h, na praça da Estação, no centro. Shows com Letuce, O Terno, BNegão & Seletores de Frequência e Zélia Duncan, no sábado; Lucas Santtana, Katia B, Marcelo Nova e Chico César, no domingo. Antes e no intervalo das apresentações, discotecagem da DJ Vivi Seixas. Ingressos distribuídos por ordem de chegada, a partir das 15h30, no local.

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