O tesouro hilário da desgraça humana

Clássico dirigido por Charles Chaplin em 1925 é um tratado simples e antológico sobre a cegueira da ambição

iG Minas Gerais | daniel oliveira |

À época, “Em Busca do Ouro” foi a quinta maior bilheteria do cinema mudo
United Artists
À época, “Em Busca do Ouro” foi a quinta maior bilheteria do cinema mudo

Em sua autobiografia, Charles Chaplin afirmou que, se tivesse que ser lembrado por apenas um filme, ele deveria ser “Em Busca do Ouro”. A escolha não é por acaso. Apesar das imagens icônicas eternizadas em “Tempos Modernos” e “O Grande Ditador”, e do romantismo atemporal de “Luzes da Cidade”, nenhum outro longa sintetiza tão bem o humor visual e inocente, associado a uma visão crítica das contradições e falhas humanas, quanto a produção que o Oi Futuro exibe neste sábado às 16h.

“Em Busca do Ouro”, primeiro filme estrelado por Chaplin na então recém-criada United Artists, acompanha Carlitos na sua jornada para Klondike, no Alasca, em busca do ouro descoberto na região. Lá, ele se associa – e ao mesmo tempo vive uma disputa – com o corpulento Big Jim McKay (Mack Sennett) e se apaixona pela jovem Georgia (Georgia Hale), enquanto enfrenta as mazelas do frio e da ambição cega do ser humano.

Esse desafio é representado em várias sequências antológicas, como aquela em que Carlitos e McKay tentam jantar uma bota – com os cadarços servindo como o macarrão de uma sopa imaginária. Ou quando o protagonista sonha que o companheiro é uma galinha gigante.

Mas a mais representativa delas é provavelmente quando a cabana da dupla se torna um balanço gigante, com o magricelo Carlitos e o enorme McKay tentando encontrar um equilíbrio quase impossível. A cena deixa claro como a maior gag visual de “Em Busca do Ouro” é a própria justaposição dos personagens, que escancara por si só todo o discurso de Chaplin sobre o absurdo da desigualdade causada pela ambição desmedida.

A paixão do cineasta pelo longa fez história. “Em Busca do Ouro” foi o único filme mudo que Chaplin relançou, em 1942, criando uma nova trilha musical e efeitos sonoros que seriam indicados ao Oscar no ano seguinte. As adições, no entanto, não alteraram a simplicidade hilária e pungente que muitas comédias hoje nem sonham em possuir.

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