Vídeo filmado em Inhotim tem exibição

Trabalho da suíça Pipilotti Rist é apresentado pela primeira vez no Brasil e estreou na Bienal de Veneza

iG Minas Gerais | Júlio Assis |



Rodrigo Moura, curador da exposição de Inhotim
ALEX DE JESUS/O TEMPO
Rodrigo Moura, curador da exposição de Inhotim

A exposição “Do Objeto para o Mundo – Coleção Inhotim”, se estende a alguns quarteirões do Palácio das Artes até o Centro de Arte e Contemporânea e Fotografia, próximo à praça Sete, onde apenas maiores de 18 anos podem assistir à videoinstalação “Homo Sapiens Sapiens”, da artista suíça Pipilotti Rist.

Com forte carga onírica, o filme de 20 minutos traz um simbiose entre corpos femininos e formas da natureza, imagens conjugadas a movimentos de caleidoscópios. O filme é exibido no teto da sala e o público pode assistí-lo deitado em pufes ou sentado ou mesmo de pé.

As filmagens foram realizadas pela artista suíça em Inhotim, em 2005, quando o instituto ainda não era aberto ao público. O vídeo foi exibido pela primeira vez na Igreja de San Stae, pela Bienal de Veneza de 2005, e agora é mostrado pela primeira vez no Brasil. “A intenção depois é colocá-lo no ciclo permanente de Inhotim”, anuncia o curador Rodrigo Moura.

Mas, antes disso, a mostra vai do Palácio das Artes para a sede do Itaú Cultural de São Paulo, em abril de 2015.

Outro trabalho que extrapola os espaços do Palácio das Artes é a série de relógios de Rivane Neuenschwander, intitulada “Um Dia como Outro Qualquer”, de 2008. Nele, quando passa um minuto, o relógio vira os dois zeros e na hora seguinte, novo zero; e assim continuamente.

Como escreveu a curadora Júlia Rebouças sobre o trabalho: “De um vocabulário artístico extenso e variado, o apagamento é uma operação recorrente na obra de Rivane. No entanto, apagar para a artista não tem a ver com negação ou fechamento, mas com a criação de espaços, silêncios, possibilidades de recomeço”.

A série tem 24 relógios. Um deles está na galeria Alberto da Veiga Guignard e outros estão espalhados em locais da cidade como a sede da Funarte, o Museu da Pampulha, a livraria Quixote, o Othon Palace Hotel.

E quem visitar a exposição vai receber um guia com informações sobre os artistas e as obras. A maior parte dos trabalhos estava na reserva técnica do instituto, constituída ao longo de cerca de dez anos, mas, segundo o curador, a exposição apresenta também aquisições recentes. Atualmente, de acordo com Inês Grosso, o instituto tem mais de 800 obras entre as que estão em visitação e as demais.

A mostra acontece no momento em que um dos diretores artísticos de Inhotim, o alemão Jochen Volz, foi anunciado como próximo curador da Bienal de São Paulo, em 2016. Indagado se o convite é um reconhecimento ao trabalho de Inhotim, o curador Rodrigo Moura concordou: “sinto muita alegria pelo Jochen, com quem convivo há 11 anos (desde o início de Inhotim) e é uma grande pessoa. Sem dúvida, esse convite é um reconhecimento ao modo de pensar um acervo de arte contemporânea implantado em Inhotim”.

Durante encontro com a imprensa para apresentar a exposição, na quarta-feira, Moura falou também sobre a expectativa do empresário Bernardo Paz, criador do Inhotim, com a mostra. “Ele está muito animado, mas ainda não veio ver, o que deve acontecer antes da abertura, a qualquer momento”, afirmou o curador.

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