Deficiente física fica sem consulta

Médico se negou a descer escadas; clínica afirma que o profissional foi ao térreo, mas a paciente não estava

iG Minas Gerais |



Problema.


 
Ana foi levada pelos pais à clínica, mas não foi atendida
Problema. Ana foi levada pelos pais à clínica, mas não foi atendida

Os pais adotivos de uma deficiente física e neurológica alegam que um problema técnico em um elevador da clínica Vitae Center, em Contagem, impossibilitou que a filha fosse atendida por um médico. Por uma infeliz coincidência, o fato aconteceu no dia 3 de dezembro, justamente quando se comemora o Dia Internacional do Deficiente Físico.

Segundo o consultor de visto Jaime Anastácio Medina pai adotivo de Ana Paula Palhares de Jesus, 41, a clínica foi procurada porque a filha apresentava tosse e já havia ido a um médico, entretanto, não havia apresentado melhora. A família, então, procurou indicações e marcou uma consulta com outro clínico geral. “No dia da marcação, eu perguntei se a clínica tinha acessibilidade. Eles me informaram que sim”, disse Medina.

Ainda conforme o consultor, ele necessitou da ajuda do filho Rodrigo Palhares Medina para levar Ana Paula até a clínica. “A gente precisa de um terceiro, porque pode acontecer de eu não dar conta (de carregá-la) no meio do caminho”, explica Medina, relatando a já constante dificuldade de transportar a filha.

Ao chegarem à Vitae Center, Medina subiu até o primeiro andar, e, com o elevador quebrado, Ana Paula ficou no térreo na companhia do irmão e da mãe adotiva, Ivone Medina. Após fazer a ficha, Medina relatou que foi informado de que o clínico geral não iria prestar o atendimento. “A atendente me disse que o médico havia informado que não iria descer para atendê-la, porque iria atrapalhar a rotina de trabalho”, conta o pai de Ana Paula.

Espera

Com o dinheiro da consulta nas mãos, o pai adotivo reiterou que a filha não tinha condições de subir as escadas e que é difícil transportar Ana Paula até um centro de saúde. “Não me deixaram ver o médico. Eles o blindaram”, afirma. Medina então desceu até o térreo e contou para o filho que o clínico não poderia descer os cerca de 30 degraus para fazer a consulta. Uma funcionária tentou resolver o problema e ofereceu que outro médico fizesse o atendimento.

Depois de hesitar no primeiro momento, a família aceitou a oferta. “Veio uma pessoa da diretoria, que não pediu desculpas, e disse que arrumaria uma médica”, acrescentou o consultor. Nesse momento, conforme Medina, o trio já estava esperando por mais de uma hora na clínica.

A família aguardou por mais 30 minutos, no entanto, a outra médica não apareceu. Eles saíram sem consultar. “O exame dela era tão simples que poderia ser feito até na rua”, concluiu Medina.

O médico foi procurado na clínica, mas não foi encontrado. No entanto, o gerente administrativo do estabelecimento, Filipe Lima, encaminhou, por e-mail, uma nota lamentando o ocorrido.

Segundo a Vitae Center, o fato teria sido gerado “pelo defeito momentâneo do elevador”. Segundo a nota, as câmeras internas da clínica mostraram que a paciente aguardou de 15h44 às 16h29. Quando o médico desceu até o térreo para realizar o atendimento, Ana Paula já teria deixado a clínica. Ainda de acordo com a nota, a clínica se disponibiliza a agendar um novo atendimento para Ana Paula Palhares.

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