Três décadas de conquistas

Banda finaliza no Music Hall, turnê do disco “The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart”

iG Minas Gerais | fábio corrêa especial para o tempo |

Futebol. O atleticano Paulo Jr. (primeiro da esq.) diz que o ecletismo é uma característica que une o Sepultura ao esporte bretão
Marcos Hermes
Futebol. O atleticano Paulo Jr. (primeiro da esq.) diz que o ecletismo é uma característica que une o Sepultura ao esporte bretão

[NORMAL_A]“O Sepultura e o Galo”, não titubeia Paulo Jr., corrigindo o comentário do repórter sobre a banda ter se tornado o maior símbolo internacional de Belo Horizonte. Brincadeiras à parte, é claro que não é só a recém-conquistada Copa do Brasil, em cima do maior rival, que enche o baixista de orgulho. Único membro da formação original do grupo, Paulo completa, este ano, três décadas junto de uma das bandas mais importantes da história do heavy metal. “Amigos comentam mesmo que, quando mencionam, em conversas no exterior, que são daqui, muitas vezes o nome do Sepultura é citado naturalmente pelo interlocutor”, concorda. “Para mim, saber que o Sepultura é uma referência é a prova de que a história que a gente conquistou é muito bonita”.

Celebrando uma trajetória que começou em 1984, no bairro de Santa Tereza, o quarteto volta a se apresentar, hoje à noite, no Music Hall – que abrigou, em 2011, a última passagem da banda pela capital. A apresentação fecha a turnê do disco “The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart”, pela qual o Sepultura foi até a China, onde nunca antes havia estado. Lá, 40 mil corroboraram a tese de que o grupo é um dos nomes mais importantes da história do heavy metal. “Acho que o Sepultura foi um divisor de águas no gênero”, comenta Paulo Jr.. O som que influenciou gerações de metaleiros, entretanto, surgiu espontaneamente. “Não foi uma coisa que a gente programou para acontecer”, diz. “Foi mesmo a forma de tocar, de subir no palco e de se expressar que deu fruto a isso”.

Entre os grandes do metal que o Sepultura influenciou, encontram-se tanto bandas antigas, como o Metallica – cujo ex-baixista Jason Newsted é um confesso admirador – quanto novas, como o Slipknot. Um desses jovens fãs, inclusive, é quem assume as baquetas no show de hoje: Eloy Casagrande, de 23 anos. Para o Paulo, 21 anos mais velho, o caçula foi responsável por injetar novo ânimo no palco. “Ele trouxe a parte física que a gente precisava”, elogia o quarentão. “Além de ser um musico de primeira grandeza, com ele a gente toca como se tivesse 20 anos de novo”.

“Mediator” foi o primeiro disco gravado por Eloy com o Sepultura. O 13º álbum da banda saiu em 2013, ano que marcou a conquista da Libertadores pelo Galo. Coincidência ou não, o número 13 representa, no bicho, o mascote do clube. “Futebol é como a música: atinge varias gerações”, analisa Paulo. “É também eclético como o som do Sepultura”, diz, ao revelar que anda escutando David Bowie, música clássica e jazz.

Trintão. Em 2015, o Sepultura irá celebrar os 30 anos de carreira em uma turnê especial. Além de um set list com músicas do “lado A, B, C e D” da carreira, Paulo revela que a banda estuda compor uma música e relegar aos fãs a tarefa de compor a letra. “A intenção é ser uma comemoração não só em respeito à banda em si, mas à história e aos fãs”.

Além disso, a banda prepara um documentário especial, que está sendo filmado em BH, e uma linha de produtos de merchandising que vão do café até havaianas personalizadas. A marca de bebidas, que conta com vinhos e cervejas, também será ampliada. “Agora só falta a cachaça”, brinca Paulo, que como bom mineiro é um apreciador da caninha.

Hoje à noite, Paulo Jr., Andreas, Eloy Casagrande e Derrick Green apresentarão um repertório baseado em músicas de “Mediator”. Porém, por ser em BH e fechar a turnê, ele garante que o público terá boas surpresas. “Vai acontecer alguma coisa diferente, isso eu tenho certeza. A gente sempre apronta alguma por aqui”, ele adianta, sem revelar quais serão as surpresas. E brinca mais uma vez com o repórter: “Você não entrega antes a escalação do time que vai ganhar a Copa do Brasil. Ou entrega?”.

Agenda

O QUÊ. Sepultura

QUANDO. Hoje, a partir das 22h

ONDE. Music Hall (av. do Contorno, 3.239, Santa Efigênia)

QUANTO. R$ 100 (pista) e R$ 130 (camarote)

Meia-entrada para estudantes, menores de 21 e acima de 60

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