Documentos revelam doações

Papéis apreendidos nas sedes da Queiroz Galvão e da Engevix mostram suposta lista de políticos

iG Minas Gerais |

Em lista à mão, alguns políticos seriam tratados por apelidos
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Em lista à mão, alguns políticos seriam tratados por apelidos

Brasília. Documentos apreendidos nas sedes das construtoras Queiroz Galvão e Engevix, investigadas por suspeita de envolvimento no cartel para fatiar obras da Petrobras, revelam registros de repasses que teriam sido feito pelas empresas a políticos e partidos que participaram das eleições deste ano. Não há confirmação de que os pagamentos foram efetivamente feitos e, em caso afirmativo, se foram feitos legalmente ou não. Nos registros constam nomes de candidatos tanto do governo quanto da oposição. Em pelo menos um desses papéis, apreendido na sede da Engevix, aparecem registros de alguns valores que não foram declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como doações de campanha neste ano. Um manuscrito apreendido na sede da Queiroz Galvão, em São Paulo, lista diferentes candidatos com valores anotados ao lado. São os casos de “Padilha”, numa suposta referência ao candidato do PT ao governo de São Paulo Alexandre Padilha; “Lindinho”, em possível alusão a Lindberg Farias, concorrente do PT no Rio; “Pé Grande”, que pode ter relação com o governador reeleito pelo PMDB, Luiz Fernando Pezão. Também há o registro de “Picciani”, possível referência a Jorge Picciani, presidente do PMDB do Rio, ou a seu filho, Leonardo Picciani, eleito deputado federal. Os valores não guardam correlação aparente com as doações registradas no TSE. Padilha, por exemplo, que aparece no papel apreendido na Queiroz Galvão com a inscrição “750,00” ao lado, não recebeu recursos da empreiteira, conforme os registros do TSE. PSDB. Uma outra planilha – esta digitada e com algumas anotações a mão – registra um cronograma de supostos repasses ao PSDB nacional, de agosto a novembro deste ano. A planilha registra R$ 8,6 milhões como “valor total”. Os registros do TSE mostram repasses de R$ 4,4 milhões ao partido e de R$ 2,1 milhões ao comitê da candidatura à Presidência do senador mineiro Aécio Neves. A PF apreendeu ainda recibos de doações eleitorais ao PSDB em 2010, além de uma carta de agradecimento pelos repasses assinada pelo vice-presidente executivo do PSDB na ocasião, Eduaro Jorge Caldas Pereira. Há recibos também de doação ao PSD. No apartamento de Ildefonso Colares Filho, ex-presidente da Queiroz Galvão, foi encontrada uma planilha relativa às eleições de 2012. São listadas cinco doações aos diretórios nacional do PP (R$ 2,7 milhões) e do PR (R$ 3,2 milhões). Os valores aparecem na prestação de contas dos dois diretórios no site do TSE.

Corrupção O Ministério Público Federal vai propor um pacote de medidas “para transformar o país”. Entre elas, estão a criação de varas para ações de improbidade administrativa nas capitais e propostas preventivas à corrupção “para tentar mudar o paradigma”.

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