Favorecimento irregular aumenta custos legislativos

Denúncias já documentadas dão conta de uma espécie de “mensalão” pago a vereadores por alguns secretários escalados pelo governo municipal para distribuir favores a parlamentares em troca da chamada “governabilidade”

iG Minas Gerais | Da Redação |

Vereador Eliseu Xavier (PTB) responde o processo judicial
JOÃO LÊUS/ARQUIVO
Vereador Eliseu Xavier (PTB) responde o processo judicial

Os repasses para a Câmara e os gastos com os servidores efetivos não são as únicas despesas causadas por vereadores à sociedade betinense. Denúncias já documentadas dão conta de uma espécie de “mensalão” pago a vereadores por alguns secretários escalados pelo governo municipal para distribuir favores a parlamentares em troca da chamada “governabilidade”.

A prática teria sido descoberta durante o curto espaço de tempo em que o vice-prefeito, Waldir Teixeira (PV), esteve à frente da prefeitura. Uma auditoria promovida por procuradores e auditores teria encontrado as irregularidades. O “mensalão betinense”, além de valores em espécie, também seria composto pelo loteamento de cargos na prefeitura de acordo com o envolvimento e a votação de cada vereador conforme os interesses da prefeitura. Além disso, benefícios como as moradias do Minha Casa Minha Vida, programa do governo federal, e o emprego de “funcionários-fantasma”, no Cadastro Único de Programas Socais (CAD-Único) estariam sendo usados para manter a base de vereadores necessária para atender aos desejos do prefeito Carlaile Pedrosa.

A atuação direta de empreiteiras e empresas, além da priorização de pagamentos de precatórios, seria outro braço do esquema. Isso tudo, somado, daria aos vereadores outros R$ 30 milhões por ano, que deixam de ser aplicados em serviços elementares para a população mais carente para garantir “tranquilidade” a vereadores e ao governo.

Dos 23 vereadores, 19 teriam recebido favores. Apenas os oposicionistas Antônio Carlos e Eutair Santos, do PT, Thiago Santana (PCdoB) e Vinícius Resende (SD) não estariam sendo beneficiados. Também dentro da própria Câmara, estaria existindo distribuição de favores. Áudios gravados mostram um ex-vereador, contratado como alto funcionário da Câmara Municipal, distribuindo, mensalmente, recursos para manter unido um grupo de parlamentares, com repasses em espécie que chegam a R$ 5.000 por mês. Parte de funcionários de alto escalão também estaria sendo forçada a devolver dinheiro para vereadores.

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