Mais de 60% dos usuários são do sexo masculino

Maioria dos consumidores tem entre 14 e 21 anos, ensino médio completo e baixa renda; para subsecretário, Brasil não tem a cultura de estudar o fenômeno em profundidade

iG Minas Gerais | DAYSE RESENDE |

Do total de usuários de crack atendidos em Betim neste ano, 5% estão em situação de rua
Alan Lucas
Do total de usuários de crack atendidos em Betim neste ano, 5% estão em situação de rua

Embora o crack venha sendo usado no país há mais de duas décadas e tenha ganhado caráter de epidemia em 2011, ainda há poucos estudos que indiquem a dimensão do problema fora e dentro das metrópoles.

Em Betim, dados da Superintendência Antidrogas – órgão competente por formular, coordenar, articular e executar, de forma integrada, as políticas sobre drogas nas áreas de prevenção, atenção e reinserção social – mostram que o perfil dos usuários de crack no município pode ser traçado da seguinte forma: pessoas com idade entre 14 e 21 anos, com ensino médio completo e de baixa renda. Somente neste ano, o órgão atendeu a 4.732 usuários. Destes, 37% são do sexo feminino, e 63%, do sexo masculino. Do total, 5% estão em situação de rua.

“O perfil dos usuários é traçado após estudo detalhado dos atendimentos prestados pela superintendência e também leva em conta as estatísticas desenvolvidas pela Polícia Militar”, informou a assessoria de imprensa da Antidrogas, ao ressaltar que, em parceria com o Estado e com o governo federal, desenvolve o programa “Crack, é possível vencer”. O projeto tem a finalidade de prevenir o uso e promover a atenção integral ao usuário de crack e seus familiares.

A Antidrogas também atua em conjunto com as secretarias de Assistência Social e de Saúde e com a Superintendência de Segurança Pública. O trabalho inclui o desenvolvimento de projetos como “Educar para Prevenir”, “Educando pela Vida”, “Fé e Ação”, “Vivendo e Aprendendo” e “Comunidade Atuante nos Diversos Segmentos da Sociedade Civil Organizada e Governamental” – este último, em parceria com o governo do Estado. Brasil Em 2013, a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgaram uma pesquisa inédita no país que trouxe as primeiras informações científicas sobre o consumo da droga. Estima-se que haja uma população de 370 mil usuários de crack nas 26 capitais e no Distrito Federal.

No entanto, o estudo não avalia a situação fora das capitais, embora seja notório que o crack vem tirando o sossego de pequenos e grandes municípios, como Betim, por exemplo. “O Brasil ainda não tem a cultura de estudar o fenômeno em profundidade, de forma que nos permita apontar o caminho com assertividade. Vivemos de discutir o óbvio”, diz o subsecretário de Políticas sobre Drogas de Minas Gerais, Cloves Benevides. (Com Luciene Câmara)

 

Pontos isolados

O 33° Batalhão da Polícia Militar, por meio de sua assessora de imprensa tenente Luiza Rocha, negou que Betim tenha uma cracolândia e disse que o que acontece são apreensões rotineiras de drogas em pontos isolados da cidade. “O tráfico é uma epidemia mundial, e, sem dúvida, esse é um dos maiores desafios da corporação”, ressaltou a militar. “A população é o segundo olho da polícia na rua. Por isso, denúncias podem e devem ser feitas ao 181”, completou.

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