Estudantes ‘queimam prefeito’ em manifestação

Grupo reivindica a regulamentação das Leis do Meio-Passe estudantil, do Crédito Estudantil Municipal (Creduc) e contra um possível reajuste da passagem para R$ 3,05

iG Minas Gerais | Da Redação |

Revoltado com o atual governo, grupo colocou fogo em um boneco do prefeito Carlaile
João Lêus
Revoltado com o atual governo, grupo colocou fogo em um boneco do prefeito Carlaile

Cerca de cem estudantes fizeram, na manhã da última terça-feira (9), uma passeata pelas avenidas Amazonas e Governador Valadares reivindicando, entre outros itens, a regulamentação da Lei do Meio-Passe estudantil, aprovada na Câmara de Vereadores em 2013. Além de utilizarem faixas, cartazes e um carro de som, os manifestantes colocaram ainda fogo em um boneco simbolizando Carlaile Pedrosa (PSDB). O ato, que chocou quem passava pelo local, foi mais um duro golpe para o prefeito, que enfrenta os mais altos índices de impopularidade.

“Queimar o prefeito foi uma forma de mostrar a insatisfação dos estudantes com o atual governo. No caso do meio-passe estudantil, estamos esperando essa verba da prefeitura há mais de um ano, mas, até agora, nada”, reivindicou o presidente da União Municipal dos Estudantes Secundaristas (Umes) de Betim, Fernando Alves.

O protesto aconteceu no mesmo dia em que são realizadas as reuniões da Câmara, nas terças-feiras, e, por isso, logo após o ato, um grupo de estudantes montou barracas em frente ao Legislativo. O acampamento durou até as 3h da madrugada de quarta (10), quando eles deixaram o local.

O objetivo do protesto, segundo o presidente da Umes, foi chamar a atenção dos vereadores e tentar abrir um canal de diálogo com eles e com a prefeitura. “O Poder Legislativo é a casa do povo, por isso, eles têm que estar sensíveis às nossas reivindicações. Distribuímos uma carta aos parlamentares com as novas reivindicações. Esperamos que eles possam interceder por nós junto aos representantes do Executivo”, explicou Fernando.

O vereador Tiago Santana (PCdoB) explicou que, apesar de haver em Betim uma lei que garante o passe escolar para 4.000 estudantes, na previsão orçamentária de 2015, enviada pelo Executivo à Câmara, está previsto apenas recurso para 2.513 passes. “Por isso, protocolei uma emenda ao orçamento pedindo que o governo reserve R$ 2,7 milhões para que a lei do passe escolar possa ser cumprida”, explicou o vereador.

Creduc

Outra reivindicação dos estudantes que participaram do manifesto é a regulamentação do Crédito Educativo Municipal (Creduc), benefício que busca auxiliar, por meio de financiamento, alunos que não têm condições de custear uma universidade. Criado pelo ex-vereador Geraldo Pimenta (PCdoB) e sancionado durante o governo de Carlaile, a Lei Municipal número 5.594 ainda não saiu do papel.

O benefício pode variar de 50% a 100% do custeio de matrícula e mensalidades por estudante. O recurso destinado para o crédito deve ser do próprio município, contudo, também pode ser obtido por meio da iniciativa privada ou até mesmo doado por pessoas físicas.

Passagem

Os estudantes protestaram ainda contra um provável reajuste da passagem de ônibus em Betim, que, conforme eles, passará de R$ 2,85 para R$ 3,05 a partir de janeiro do ano que vem. “Esse aumento será muito injusto, porque a qualidade do transporte público na cidade é péssima”, completou o presidente da Umes, Fernando Alves.

Resposta

A Prefeitura de Betim informou que “a atual administração está buscando as melhores alternativas para regulamentar o meio-passe e também o Creduc, já que ambos demandam aplicação de verba municipal para serem implantados”. Sobre o possível reajuste no valor das passagens, a prefeitura declarou que “planilhas de custo do transporte coletivo municipal estão sendo estudadas”.

Educação

Os estudantes também disseram ser contra o corte de R$ 72 milhões na educação, conforme previsão orçamentária enviada à Câmara dos Vereadores, que deve ser votada na reunião da próxima terça-feira (9).

Para o vereador Eutair dos Santos (PT), quando o governo reduz verba de políticas sociais, a violência no município só aumenta. “Além da educação, o prefeito pretende reduzir também recurso na Secretaria de Esportes e na Superintendência Antidrogas, pastas que ajudam a prevenir a criminalidade. Espero que ele repense essa medida”.

A prefeitura informou que o repasse do recurso municipal para a educação “terá um acréscimo de 2,9%, passando de R$ 168 milhões, em 2014, para R$ 173 milhões, em 2015”.

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