Falta de saneamento básico atinge Granja de Freitas há mais de 15 anos

População é obrigada a conviver com córrego que recebe os dejetos de diversos edifícios construídos na região nos últimos anos

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Vários alunos de escola municipal passam diariamente pelo córrego
REPRODUÇÃO/PANELAÇO 03/09/2013
Vários alunos de escola municipal passam diariamente pelo córrego

Em setembro de 2013, moradores da Vila Granja de Freitas, na região Leste de Belo Horizonte, procuraram o jornal Super Notícia para denunciar o problema de falta de saneamento básico na região, com esgoto sendo despejado em córregos e passando a céu aberto próximo a várias residências. Mais de um ano depois, a população voltou a procurar a reportagem, já que os problemas que existem há mais de 15 anos continuam exatamente os mesmos. 

O aposentado Rodrigo Martins Rodrigues, de 50 anos, conta que a situação vem piorando nos últimos tempos, já que vários prédios, entre obras do Minhas Casa, Minha Vida e de empreiteiras, estão sendo construídos na região. "O esgoto de todos estes lugares está sendo lançado no córrego Cachorro Magro que é afluente do Olaria. O problema é que estão finalizando mais uns 30 a 40 prédios e não vemos a Copasa fazer nada por nós", denuncia.

Segundo ele, além do mal cheiro, existe também o risco de contaminação por doenças. "É um risco para a saúde pública. Tem até um posto de saúde funcionando no bairro, mas não tem tratamento de esgoto. É um absurdo e, por isso, resolvemos procurar a imprensa e inclusive já temos até uma ação civil pública na Justiça", protestou Rodrigues.

A aposentada Maria do Rosário Araújo, de 60 anos, foi uma das pessoas que concedeu entrevista na primeira denúncia feita. "Chega a noite o esgoto começa a feder mais do que o normal e parece que a minha casa é só 'pudrica'. Isso sem falar nos ratos, que vivem aparecendo aqui na minha casa", relatou a mulher.

Na época, a assessoria de imprensa da Copasa respondeu que já tinha recursos garantidos e estaria licitando obras de implantação de interceptores e elevatórias ao longo dos córregos Cachorro Magro, Olaria e Santa Terezinha, que iriam direcionar o escoamento para a Estação de Tratamento de Esgoto Arrudas.

"Desde então a situação só piorou, entulho dos prédios é jogado no leito e nada da Copasa aparecer. Tenho um neto que já está com problema respiratório, tendo de usar até a bombinha. Já até perdi uma cunhada por causa desse córrego. Ela caiu lá dentro há cerca de 4 anos, machucou a cabeça e acabou pegando infecção e morreu após 15 dias no hospital", lembrou Maria do Rosário.

Ainda de acordo com a mulher, há apenas três meses uma criança da escola caiu dentro do córrego, tendo inclusive que ser levado ao médico. "Passa muita criança diariamente da Escola Municipal Júlio Soares. Saneamento básico é o mínimo, e é tudo o que pedimos", finalizou a mulher.

Copasa

Procurada pela reportagem de O TEMPO, a assessoria de imprensa da Copasa informou por meio de uma nota que as obras de implantação das redes interceptoras ao longo do córrego Santa Terezinha já foram concluídas e todo o esgoto coletado da região está sendo direcionado para a Estação de Tratamento de Esgoto Arrudas.

"Já em relação aos córregos Olaria e Cachorro Magro, o projeto das obras, que inclui a implantação de redes coletoras e interceptoras e construção da estação elevatória, está concluído e a obras estão sendo licitadas, com previsão para iniciar no primeiro semestre de 2015".