Relatório para CPI pedirá punição para políticos e executivos

Oposição se movimenta para tentar derrubar o relatório final da CPI, apresentado nesta quarta (10) pelo deputado Marco Maia (PT-RS)

iG Minas Gerais | Folhapress |

O relatório paralelo que a oposição prepara para apresentar na CPI do Congresso que investiga irregularidades na Petrobras vai pedir o indiciamento de delatores do esquema, de políticos e empresários envolvidos com os desvios de recursos da estatal.

O texto, que está sendo costurado pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), não deve recomendar punição à presidente Dilma Rousseff, ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e nem ao ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, por "falta de elementos", segundo o tucano. A situação do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, ainda não foi definida.

A oposição vai defender o indiciamento dos delatores do esquema: Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal, e de Alberto Yousseff, doleiro. Também figuram na lista o deputado Luiz Argôlo (SD-BA) e o ex-deputado André Vargas (ex-PT-PR), que são ligados ao doleiro. Serão incluídos na lista empresários que já tenham acertado delação premiada, como Júlio Camargo e Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, executivos da Toyo-Setal.

A oposição se movimenta para tentar derrubar o relatório final da CPI, apresentado nesta quarta (10) pelo deputado Marco Maia (PT-RS), que terceiriza para outras autoridades o pedido de punições aos suspeitos de envolvimento no esquema de corrupção.

No documento, o relator cita 53 nomes que surgiram durante a Operação Lava Jato, mas não pede o indiciamento de nenhum deles.

"O simples fato do relator não ter pedido o indiciamento de quem quer que seja, inclusive daqueles que comprovadamente estão envolvidos, demonstra a fragilidade do relatório", afirmou Sampaio. "O relatório deixou a desejar, pegou leve demais numa investigação séria com consequências graves, então estamos apresentando relatório paralelo", completou.

Em relação ao tesoureiro do PT, o tucano disse que ainda está estudando o caso individualmente, mas ressaltou que o petista foi citado pelos delatores. O relatório paralelo será entregue na quarta-feira (17), mas a base governista tem maioria para rejeitar a proposta. A expectativa é de que o texto de Maia seja aprovado.

O documento da oposição também defenderá a necessidade de uma nova CPI mista a partir de fevereiro, quando o novo Congresso tomar posse. Segundo ele, a conclusão de Maia é restrita demais e deixou de fora núcleos importantes para as investigações.

Para Sampaio é preciso aprofundar as apurações sobre as empresas abertas no exterior para ocultação de valores e a forma como a organização criminosa fez uso dos fundos de pensão para prospectar "negócios", além do pagamento de propina por intermédio de doações eleitorais e o envolvimento de políticos. Paulo Roberto disse a deputados que entregou de 35 a 40 congressistas do PP, PMDB e PT.

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