‘Doce na mão de crianças’ é a estratégia de ambulantes

Com as luzes de Natal, vendedores sobem preços e chegam a ter lucros de 900%

iG Minas Gerais | Queila Ariadne |

Artesanato. Hippies expõem suas peças e também conquistam a atenção e o dinheiro de quem está vendo as luzes de Natal
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Artesanato. Hippies expõem suas peças e também conquistam a atenção e o dinheiro de quem está vendo as luzes de Natal

“Toma, neném, um balão da Peppa”, oferece um ambulante a Júlia Cruz Jatobá, de 1 ano e seis meses. E, antes mesmo de a mãe se dar conta, a menina já está apaixonada pelo mimo. “É desse jeito. Toda hora chega um vendedor e já vai colocando nas mãos das meninas. O moço me ofereceu por R$ 15, mas acabou me deixando pagar R$ 10”, conta Núbia Cruz, que levou a filha à praça da Liberdade para ver as luzes de Natal. Ela acha que economizou 50%, mas, na verdade, ele lucrou 900%.

Com a condição de não ser identificado, o vendedor aceitou falar com a reportagem e revelou que compra os balões por apenas R$ 1. “Eu compro na mão dos chineses, lá perto da rodoviária”, conta o ambulante.

Neste ano, a sensação é uma pistola musical que solta bolhas de sabão. “Custa R$ 30, mas para você eu faço por R$ 25”. E assim começa uma negociação que, normalmente, para nos R$ 20. Mas nos chineses ela custa R$ 12, já com as pilhas, segundo o vendedor. “O preço é de acordo com a cara do cliente. Depois a gente vai negociando”, conta.

O ambulante Célio Lopes, 43, trabalha em um shopping popular durante o dia. A partir das 19h, ele vai para a praça da Liberdade. “Natal não falha. Eu chego a ter 100% de lucro nos produtos. Por dia, chego a tirar uns R$ 200”, afirma Célio, que trabalha com vários familiares na praça.

Esses ambulantes não têm autorização para vender na praça da Liberdade. Mas garantem seus lucros. “A gente fica de olho. Quando vem o fiscal, a gente sai”, conta um vendedor.

Outro, que pediu para não ter o nome divulgado, explica que o fator fiscalização está até embutido no preço final. “Eu não posso dar muito desconto porque já preciso calcular a mercadoria que eu vou perder”, explica o ambulante.

A Secretaria Municipal Adjunta de Fiscalização (Smafis) informa que, se o vendedor tiver como comprovar a origem da mercadoria, ela pode ser recuperada, mediante pagamento de multa.

Com ou sem “custo fiscalização” , a maioria deixa a cautela em casa, principalmente quando sai com as crianças. Marigerson Ventura, 69, levou dois netinhos, a esposa e a babá. Eles deram duas voltas no trenzinho, a R$ 8 cada pessoa, cada volta. Compraram três pipocas, algodão-doce, água, Peppa e pistola de bolhas. Saldo: menos R$ 150.

Os bravos. O contador Fabiano Aoki, 41, é de Diamantina e levou a família para ver as luzes, mas não se rendeu ao assédio dos vendedores. “Chega a atrapalhar um pouco o passeio, de tanto que oferecem. Mas eu não compro e é essa a educação que eu quero dar para os meus filhos”, afirma Aoki.

Não, obrigada.

Limites. Antes de sair de casa, Cristiane Melo, 36, conversa com os dois filhos e deixa claro que não vai comprar nada na praça da Liberdade. “Eu digo que é um passeio para ver o Papai Noel, e não para comprar”, conta a mãe. Prevenida, até um lanchinho ela levou para evitar os gastos.

Irresistível!

Tem que dar. Marigerson Ventura, 69, levou os dois netinhos para ver as luzes na praça da Liberdade. Depois de pipoca, algodão-doce e trenzinho, voltaram para a casa com brinquedos. “Eles colocam nas mãos dos meninos. Não é propaganda, é chantagem mesmo. A gente tem que dar”.

Preço

Balões

Custo: R$ 1

Preço oferecido: entre R$ 10 e R$ 15

Pistola de bolha de sabão

Custo: R$ 12 com pilhas

Preço oferecido: de R$ 20 a R$ 30

Bonequinhos Peppa Pig

Custo: R$ 6

Preço oferecido: R$ 10

Joga para o alto

Custo: R$ 10 caixa com 12 (R$ 0,83)

Preço oferecido: R$ 5 a unidade

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave