Rearranjar e cantar a história dos seus ídolos

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Luiz Rocha parte de repertório do Galpão para criar novos arranjos
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Luiz Rocha parte de repertório do Galpão para criar novos arranjos

O Grupo Galpão povoa o imaginário de pessoas que acompanham seu trabalho, há 32 anos. Isso para uma geração de artistas de teatro é ainda mais forte. Com 34 anos, o ator e compositor, Luiz Rocha, é um desses que cresceram sob a sombra do Galpão e que há dois anos tem a chance de trabalhar com eles, artistas que sempre admirou. Em “De Tempos Somos”, Rocha assina a direção musical. Como é trabalhar com um grupo tão celebrado e admirado como o Galpão? É uma coisa muito maluca, por dois motivos. Primeiro, minha profunda admiração. Tenho um pouco mais da idade do grupo. Depois, a satisfação de estar em cena com eles. Agora, tirando toda a mítica e a idolatria, o que é mais legal é que eles são gente de teatro, eles continuam trabalhando, carregando baú e convivendo com uma rotina teatral, há mais de há 30 anos. Tem uma imagem que me marcou muito. Durante a turnê do “Gigantes da Montanha”, em alguma cidade do Nordeste, nós estávamos prontos para entrar em cena e caiu uma chuva, um temporal e eu vi a Teuda (Bara) com seus mais de 70 anos, toda molhada, com a maquiagem escorrida, sentada, debaixo de uma tenda de lona, esperando a chuva passar para começar a peça. E como foi organizar um repertório tão grande? O Galpão é um dos grupos de teatro que têm esse acervo do próprio repertório musical e tem um registro muito forte. Quatro CDs duplos, oito espetáculos registrados. Algumas músicas são muito conhecidas e, se a gente pensar no teatro, isso é muito raro. “Romeu e Julieta” e “Rua da Amargura”, por exemplo. Eu não queria só rememorar como as músicas eram, até porque elas foram feitas para o teatro. Os novos arranjos surgiram a partir de uma nova cena. Mesmo que não seja um espetáculo, um drama linear, os arranjos foram pensados em processo, alguns antes, outros foram adaptados. Claro que, como parti de um material que já existia, alguns aspectos, como os arranjos do Ernani Maletta ou da Babaya, foram mantidos. Babaya esteve próxima durante os ensaios.  E essa brincadeira – que o próprio Galpão faz – de que “como músicos, eles são ótimos atores”? Nisso que eles propuseram: tocar e cantar em cena, o Galpão é um excelente grupo musical. E além do mais, em vários aspectos, eles têm um sensibilidade. O Eduardo (Moreira), por exemplo, toca o mesmo clarinete desde sempre, há 20, 30 anos. Existe nisso uma relação que extrapola a música. E quem sou eu para falar? Particularmente, eu não me considero músico, eu sou um compositor. Tem a ver com essa geração pós-punk. “Três acordes, faça vocês mesmo”. Eu não tenho formação musical. Eu estou naquele lugar que um ator desempenha inúmeras funções dentro do espetáculo: canta, dança, atua, faz contrarregragem etc. E os planos para o futuro? Vamos lançar um disco em maio, com “Todos os Caetanos do Mundo”, que foi uma experiência maravilhosa de trabalhar com o Chico Neves, que consegue um nível absurdo de arte, de camadas sobrepostas, fazendo música pop. Foi o ouro do ano trabalhar com ele. No disco, são dessas músicas de minha autoria em parceria com outros artistas. Além disso, eu vou gravar dois discos: um “mini” ao vivo, com seis composições e um disco para crianças.

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