Juro do cartão é o maior em 14 anos

Modalidade cobra 246,08% ao ano, e cheque especial chega a 167,94%

iG Minas Gerais |

SÃO PAULO. As taxas de juros cobradas no cartão de crédito atingiram o maior patamar em quase 15 anos, de acordo com dados da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) divulgados ontem. Os juros médios cobrados na modalidade chegaram a 10,90% ao mês e 246,08% ao ano em novembro, maior patamar registrado desde janeiro de 2000, quando a taxa era de 10,93% ao mês (ou 247,21% ao ano).  

Em outubro, o juro médio foi de 10,78% ao mês (241,61% ao ano). Parte do aumento é explicado pela retomada do ciclo de elevação da taxa básica Selic, iniciada na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do fim de outubro e continuada no encontro da semana passada, diz Miguel Ribeiro de Oliveira, coordenador da pesquisa e diretor executivo da entidade.

Esse aperto monetário faz com que aumente o risco de inadimplência, explica Oliveira. “Esse cenário se baseia nos índices de inflação mais elevados e juros maiores, que reduzem a renda das famílias”, afirma.

O executivo também explica que, além disso, o baixo crescimento econômico, que contribui para o aumento dos índices de desemprego, e as expectativas negativas para 2015 levam as instituições financeiras a aumentarem suas taxas de juros para compensar prováveis perdas com a elevação da inadimplência.

Cheque especial. Os juros no cheque especial também subiram e renovaram o maior valor em quase 11 anos. A taxa média cobrada em novembro deste ano foi de 8,56% ao mês (ou 167,94% ao ano), enquanto em dezembro de 2003 foi de 8,64% ao mês (ou 170,32% ao ano). Em outubro, a taxa havia sido de 8,50% ao mês (ou 166,17% ao ano). Todas as seis linhas de crédito pesquisadas pela associação registraram alta em novembro .

Empresas também pagam mais pelo crédito São Paulo. Assim como para as pessoas físicas, os juros médios cobrados de empresas registraram alta em novembro, passando de 3,44% em outubro (ou 50,06% ao ano) para 3,49% no mês passado (ou 50,93% ao ano). As três linhas de crédito analisadas pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) viram seus juros subirem. No capital de giro, subiram de 1,93% ao mês em outubro para 1,96% em novembro. Já a taxa de desconto de duplicatas avançou de 2,52% ao mês em outubro para 2,56% mensais em novembro. A conta garantida passou de 5,87% ao mês em outubro para 5,94%. O prazo de financiamento de veículos, que já chegou a 84 meses em 2007, tem se mantido estável desde maio, com máximo de 60 meses de prazo, e média de 40. Nos demais financiamentos, a média é de 12 meses.

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