General questiona relatório e chama Dilma de terrorista

"Não li ainda, mas pretendo ler. Agora só tenho uma pergunta: sou eu, que cumpri a lei, que violei os direitos humanos? E os terroristas? São o que? Inclusive, a terrorista que é presidente do país?", disse Nilton Cerqueira, um dos 377 citados no relatório da CNV

iG Minas Gerais | Folhapress |

O general Nilton Cerqueira, de 84 anos, um dos 377 citados no relatório da Comissão da Verdade como responsável por crimes contra a humanidade, disse, nesta manhã de quarta (10) ainda não ter lido o documento apresentado em Brasília, mas questiona seu conteúdo.

"Não li ainda, mas pretendo ler. Agora só tenho uma pergunta: sou eu, que cumpri a lei, que violei os direitos humanos? E os terroristas? São o que? Inclusive, a terrorista que é presidente do país?", em referência à presidente Dilma Rousseff (PT).

Com cargos de chefia no Exército e na Polícia Militar do Rio, durante o regime, o militar é apontado no documento como líder da perseguição e morte de Carlos Lamarca, da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), em 1971 e de mais dez pessoas durante a ditadura militar (1964-1985).

Durante a ditadura militar, a presidente Dilma integrou o Colina (Comando de Libertação Nacional) e a VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares), organizações que defendiam a luta armada contra o regime militar. A presidente foi torturada e presa por sua atuação neste período.

Nesta quarta, em discurso na cerimônia de entrega do relatório final da Comissão Nacional da Verdade, Dilma chorou ao falar sobre mortos e desaparecidos da ditadura.

De acordo com o documento da Comissão, o general Cerqueira, em 1971, era chefe da 2ª Seção do Estado Maior da 6ª Região Militar que abrange os Estados da Bahia e de Sergipe.

Na época, Cerqueira chefiou a operação Pajussara, sendo apontado pelos integrantes da comissão por perseguir e matar o ex-capitão do Exército, Lamarca e mais Zequinha Barreto, Otoniel Barreto e Luiz Santa Bárbara, em Brotas de Macaúbas (BA).

Na região do Araguaia, os militares comandados por Cerqueira, segundo a comissão, atacaram, em 1973, a Comissão Militar da Guerrilha no episódio que ficou conhecido como "Chafurdo de Natal", já que ocorreu no dia 25 de dezembro.

A ação resultou na morte de Gilberto Olímpio Maria, Guilherme Gomes Lund, Líbero Giancarlo Castiglia, Maurício Grabois, Paulo Mendes Rodrigues e Paulo Roberto Pereira Marques. Após a ditadura, o general Nilton Cerqueira ocupou a secretaria de Segurança Pública do Rio durante o governo Marcelo Alencar (PSDB), entre os anos de 1995 e 1998.

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