Geradora de energia criada por Eike pede recuperação judicial

Com dívidas de R$ 2,33 bilhões, a empresa de energia Eneva, ex-MPX, criada por empresário, entrou nesta terça-feira (9) com pedido de recuperação judicial na Justiça do Rio

iG Minas Gerais | Folhapress |

Com dívidas de R$ 2,33 bilhões, a empresa de energia Eneva, ex-MPX, criada por Eike Batista, entrou nesta terça-feira (9) com pedido de recuperação judicial na Justiça do Rio. É a quarta empresa criada pelo empresário nos últimos anos que precisou recorrer à proteção judicial para tentar se reerguer financeiramente.

A empresa hoje é controlada pelo grupo alemão E.ON. Os investidores entraram no capital da empresa em 2013. Hoje, Eike tem 20% do capital.

A Eneva deve apresentar em até 60 dias o plano de recuperação judicial, depois que a Justiça aceitar o plano, o que deve acontecer nos próximos dias.

Desde maio, a Eneva vinha tentando alternativas para melhorar suas finanças, a partir de um plano de reestruturação de dívida. A companhia recebeu aportes de R$ 882,7 milhões, dos quais R$ 528 milhões vindos dos controladores. Outros R$ 408 milhões haviam entrado no caixa com a compra de 50% da usina Pecém 2, também pelos alemães.

Por fim, um perdão temporário das dívidas foi negociado e vigorou entre 26 de setembro e 21 de novembro, com aval dos credores BNDES, BTG Pactual, Citibank, HSBC Bank e o Itaú. No mesmo dia em que deram o alívio, eles haviam emprestado R$ 300 milhões. Esse perdão não foi renovado, o que levou a empresa à recuperação judicial.

No mesmo dia em que anunciou o pedido de recuperação judicial, a Eneva informou que Fábio Bicudo renunciou à presidência da empresa, depois de ter exercido o cargo por apenas nove meses. Assumiu, no lugar, Alexandre Americano, que exercia a diretoria jurídica.

Segundo a Eneva, Bicudo vai assumir uma cadeira no conselho de administração da empresa. Entre janeiro e setembro, a Eneva acumula prejuízo de R$ 155 milhões, frente a perdas de R$ 661 milhões em igual período de 2013.

"A principal mensagem é que a companhia vai envidar todos os esforços para viabilizar esse plano de recuperação, com seus fornecedores, órgãos reguladores, credores. Nossa operação está assegurada pelos próximos meses que virão e continuarão contribuindo de maneira relevante no fornecimento de energia, nesse momento estressado do sistema elétrico", disse Americano, em teleconferência com analistas, nesta quarta-feira (10).

Segundo Americano, as sete usinas da Eneva têm gerado 2,4 GW de energia em suas usinas térmicas, ou quase 4% da atual carga do sistema elétrico.

Das empresas criadas por Eike nos últimos anos, já tiveram seus pedidos de recuperação judicial aprovados a petroleira Ogpar, ex-OGX, a mineradora MMX e o estaleiro OSX.

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