Viagens pela Estrada de Ferro Vitória a Minas continuam interrompidas

Índios Krenak ocupam o local interrompendo as viagens da Vale; passageiros com viagens marcadas para os próximos dias podem remarcar a viagem ou pedir o reembolso

iG Minas Gerais | JULIANA BAETA |

O representante da Vale que foi enviado à Terra Indígena Krenak para negociar sobre a liberação do trecho da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), ocupado por índios Krenak, foi liberado na manhã desta quarta-feira (10), sem nenhum ferimento ou prejuízo. Na noite dessa terça (9) ele foi ao local tentar uma negociação, mas teve que seguir para a ocupação na ferrovia com o representantes do povo indígena. As viagens pela EFVM continuam interrompidas por prazo indeterminado. 

A ocupação ocorre na cidade de Resplendor, no Vale do Rio Doce, local que já havia sido ocupado por cerca de 25 índios Krenak no último sábado (6). Segundo a Vale, eles reivindicam um repasse financeiro, a saída da equipe técnica da empresa que apoia a implementação do projeto de pecuária leiteira e também a não intervenção da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Ministério Público Federal - ambos órgãos do governo federal - neste processo.

Por meio de nota, a Vale informou que pretende manter o canal de comunicação aberto para o povo indígena, mas que repudia manifestações violentas que coloquem em risco funcionários e passageiros.

A ocupação interrompe as operações da linha neste trecho e, por isso, os passageiros que haviam adquirido bilhetes para viagens durante o período de ocupação, devem se dirigir às estações ao longo do trecho para remarcar sua passagem ou solicitar reembolso no prazo de 30 dias. Mais informações podem ser obtidas pelo Alô Ferrovia, no telefone 0800 285 7000.

Quem são os Krenak

De acordo com a Fundação Nacional do Índio, atualmente, o povo indígena Krenak - os últimos Botocudos do Leste - que habita principalmente a margem esquerda do Rio Doce, justamente no município de Resplendor, é formado por apenas 269 indivíduo. O território que habitam hoje foi demarcado pelo governo em 1920, mas ao longo dos anos foi invadido por fazendeiros e donos de terras, o que acabou por dizimar parte dessa população. 

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