Este tempo nublado

iG Minas Gerais |

O que anda acontecendo ultimamente na administração pública do Brasil mais parece a confusão bíblica de Babel. Os governos falam em crise financeira no mundo, mas há quem ache que tudo não passa de marolas – são os que se acham sabidos, característica dos idiotas. Gostaria de saber quanto custou à Câmara Federal, às Câmaras Municipais, à Assembleia Legislativa, ao Tribunal de Contas do nosso Estado a distribuição das chamadas medalhas de “honra ao mérito”, que são oferecidas a granel todo fim de ano. Continuando nessa minha curiosidade, saber também quantas viagens foram pagas na primeira classe e na classe executiva para conselheiros e procuradores do Tribunal de Contas. Soube pelo “Diário Oficial de Contas”, publicação oficial do TC, que um procurador do Tribunal de Contas foi autorizado a estudar em Portugal, por conta da instituição, por um ano e meio, ganhando integralmente seus vencimentos, mais diárias em euros. E que, mesmo estando ausente, foi eleito vice-presidente da instituição pelos próximos dois anos... Continuando nesse rumo, sabe-se que a nossa augusta Assembleia está comprando um segundo avião para o transporte de Suas Excelências e gastando os tubos com a urbanização da praça do mesmo nome, além do que foi gasto com publicidade. Gente, cuidado com esse andor, o santo nunca foi tão de barro... Fui deputado por 20 anos. Quando assumi o posto, como suplente, éramos 27 deputados na bancada da UDN. A do PSD era composta de 28 integrantes. A egrégia era composta de 82 deputados. No gabinete do nosso partido, que atendia a todos os 27 deputados, havia três telefones e três funcionários, aos quais rendo aqui minhas homenagens: Joaquim Cirino, Conceição e Nilda Brun. Naquele tempo, quem mandava na Assembleia eram os deputados. Hoje, são os diretores que mandam e desmandam. Três carros eram suficientes para o desempenho dos serviços: um servia ao presidente, outro, ao vice, e havia uma Kombi velha para os serviços gerais... Quem não tinha carro, como eu, andava de ônibus. Hoje, seria a maior humilhação, né? Minha esperança é que um dia apareça um estadista que invente uma “ditadura democrática”. Interessante... ao me sentar para digitar “estas maltraçadas linhas”, pretendia falar de poesia, já que política é assunto morto e já encheu todo mundo. Mas é difícil fugir ao tema... Então, antes de encerrar, lembro as providências enérgicas tomadas por aquele ministro do Supremo que inventou os embargos infringentes naquela Corte para salvar mensaleiros do inferno, quando mandou voltar imediatamente a Brasília o capo Dirceu, que havia sido autorizado pelo MM. Juiz de Execuções Penais a ficar 15 dias flanando em São Paulo. Pensei com os meus botões: “Ê, cabra macho...” Que nada! Dirceu voltou, sim, mas retornou a São Paulo, possivelmente para receber da Camargo os R$ 886 mil pelo contrato de assessoria para assuntos disfarçados... Mundo mundo vasto mundo/ Se eu me chamasse Raimundo... O que Drummond tem a ver com isso? Nada... Já disse, eu queria falar de poesia, mas o espaço acabou antes...

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