Quadrilha de vereador fraudou até barraquinha de Carnaval

Polícia Civil prende sete suspeitos de participarem de esquema que burlava licitações na prefeitura

iG Minas Gerais | Isabella Lacerda |

Polícia Civil apreendeu R$ 72 mil em espécie na casa de Armando
douglas magno
Polícia Civil apreendeu R$ 72 mil em espécie na casa de Armando

Sete pessoas foram presas nesta terça em cinco cidades da região metropolitana, incluindo Belo Horizonte, por participação em esquema de fraudes em licitações na Prefeitura de Confins. Entre os detidos estão uma vereadora, dois funcionários da prefeitura – um deles é genro do atual prefeito Geraldo Gonçalves dos Santos (PSC) –, e dois parentes do vereador Aladir José Pessoa (PTB), considerado pela Polícia Civil o chefe do esquema fraudulento que pode ter desviado mais de R$ 2 milhões.  

A operação Lavagem III – a terceira na cidade desde setembro (veja infográfico abaixo) – foi usada para recolher documentos que comprovem a existência das fraudes. Segundo o delegado responsável pela apuração, Jonas Tomazi, novas prisões e apreensões devem ocorrer nos próximos dias, já que os documentos encontrados reforçam a existência das irregularidades.

Aladir José Pessoa seria o responsável por negociar as licitações. Pelo menos 14 concorrências teriam ocorrido com fraudes e para os mais diversos serviços, de fornecimento de cartuchos a barraquinhas de festas de Carnaval.

O delegado afirma que o vereador Aladir José Pessoa criava empresas laranjas e acertava a licitação com cartas marcadas com a ajuda dos funcionários da prefeitura. Por isso, dois deles foram presos nesta terça. Em outros casos, o vereador acertava o pagamento de propinas para que outras empresas interessadas na concorrência desistissem.

Outro preso nesta terça é Leonardo Gomes de Araújo, considerado laranja de uma das empresas de Aladir, a Next Comercial, apontada com exclusividade pela reportagem de O TEMPO como a principal articuladora do esquema. No total, seriam pelo menos cinco empresas de fachada.

Apreensão. Além de documentos e computadores, a Polícia Civil ainda apreendeu um automóvel Corolla e pedras preciosas, que passarão por perícia.

Outros R$ 72 mil em espécie também foram apreendidos. O dinheiro estava na casa do chefe de gabinete da prefeitura, Claudinei Ribeiro, que alegou ser resultado da venda de alguns imóveis. O funcionário da prefeitura, porém, não foi preso.

“Vamos ouvir os envolvidos para apurar o montante desviado. Cada vez que analisamos os documentos, aparecem mais envolvidos. São muitas pessoas, e haverá desdobramento”, explica o delegado. Os presos foram encaminhados nesta terça mesmo para presídios no Estado.

Em liberdade Investigado. O vereador Aladir José Pessoa ficou preso por 25 dias após a primeira etapa da operação, mas conseguiu habeas corpus e, agora, responde ao processo em liberdade.

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