Minas é o terceiro Estado com mais casamentos homoafetivos

Pela primeira vez, as uniões entre pessoas do mesmo sexo foram incluídas nas estatísticas de registro civil

iG Minas Gerais | Joana Suarez |

‘Sim’ ao amor. 
Mohara Villaça, 27, e Estefânia Mesquita, 25, se casaram em setembro deste ano
LEO FONTES / O TEMPO
‘Sim’ ao amor. Mohara Villaça, 27, e Estefânia Mesquita, 25, se casaram em setembro deste ano

De braços dados com suas mães e ao som da marcha nupcial, a designer Mohara Villaça, 27, e a jornalista Estefânia Mesquita, 25, entraram no salão de festas para oficializar a união. A cerimônia, realizada em setembro deste ano, foi acompanhada por amigos e familiares que apoiaram o casamento homoafetivo desde o início. Elas fazem parte agora de uma estatística que começou a ser contabilizada no país. No ano passado, 209 casais homossexuais mineiros assinaram os papéis perante o juiz de paz.  

Minas Gerais é o terceiro Estado com maior número de casamentos gay, perdendo apenas para o Rio de Janeiro (211) e São Paulo (1.945). Mas, se o recorte são as uniões entre as mulheres, as mineiras ultrapassam as cariocas e ocupam a segunda posição no ranking do país, com 109 matrimônios. Entre homens, Minas fica em quarto lugar, com cem uniões.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça os dados de 2013 dos registros civis dos cartórios brasileiros. Pela primeira vez, há informações sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo, que passou a ser oficialmente reconhecido em maio do ano passado.

“Em primeiro lugar, a gente se ama. Como grande parte dos casais que se amam, a gente queria construir uma família e um futuro juntas. Quando fomos ao cartório assinar os documentos, tivemos também a oportunidade de fazer um ato social e político”, disse Estefânia. Para as duas, o casamento também foi uma forma de lutar contra o preconceito e a violência. “É importante mostrar que nós existimos e que nós merecemos os mesmos direitos que todos”, completou.

As estatísticas vão mostrar a partir de agora as opções que os cidadãos estão fazendo nos cartórios. Por enquanto, as mulheres se casaram mais e representam 52% do total das uniões homossexuais no país. “Ainda não dá para dizer se a tendência vai se manter em 2014, se os casamentos entre gays vão aumentar. Existia uma demanda reprimida no ano passado, porque os registros não podiam ser feitos”, destacou Luciene Longo, analista do IBGE.

Ainda de acordo com os dados, das mulheres que se casaram com outras no país, 168 eram divorciadas, e 17, viúvas. Em Minas, dez eram divorciadas. Nas uniões entre homens brasileiros, 283 eram divorciados, sendo 12 mineiros.

Reconhecidos

Autorizados. Depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu o casamento entre pessoas do mesmo sexo, em 2011, o Conselho Nacional de Justiça autorizou, em 2013, os cartórios a realizarem a união.

Tempo de casado dos mineiros reduziu dois anos em uma década Os mineiros passaram a se divorciar mais na última década. A taxa de divórcios para cada mil habitantes de 15 anos ou mais de idade em Minas passou de 1,4 em 2003 para 2,2 em 2013, um aumento de 57%. Já o índice de casamentos nesse mesmo período cresceu 9%, passando de 6,5 para 7,1. Para casar, os jovens também estão esperando mais dois anos (a média de idade aumentou para 26 anos entre mulheres e 29 entre homens). Já o tempo médio entre o casamento e o divórcio reduziu dois anos. Em 2013, os casais ficaram, em média, 15 anos juntos. Em 2003, 17 anos. Os homens se separaram aos 42, e as mulheres, aos 39 anos. O perfil etário permaneceu nessa década.

Violência Os percentuais mais elevados de mortes entre os homens ocorrem na faixa etária de 15 a 24 anos e são, especialmente, por causas violentas e acidentais. No Brasil, em 2013, 68,5% do total de mortes nesse grupo eram por violência. Entre os mineiros, esse percentual foi de 72,4%. Do Sudeste, Minas é o segundo que possui a maior proporção de mortes por causas violentas para homens (9,1%), ficando atrás do Espírito Santo (12,3%).

Gravidez Em Minas, a gravidez na adolescência diminuiu. Em 2003, no grupo de 15 a 19 anos, o percentual era 17,7%. Dez anos depois, passou para 15,7%. Esse percentual fica abaixo da média nacional, que é de 17,7%. O grupo de idade que concentra a maior proporção de gestantes é o de mulheres de 25 a 29 anos (24,5%), seguido pelas de 20 a 24 anos (24,4%).

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave