C4 Lounge ganha motor turbo flex de 173 cv

Além das mudanças no propulsor 1.6 THP, sedã médio da Citroën teve câmbio recalibrado e pacote de equipamentos revisto - para melhor e pior

iG Minas Gerais | Alexandre Carneiro |

Citroën C4 Lounge THP Flex
Pedro Bicudo/Citroën/Divulgação
Citroën C4 Lounge THP Flex

Presente há cerca de 10 anos nos carros vendidos no Brasil, só agora o sistema flex começa a ser associado a dispositivos como injeção direta de combustível e turbocompressor. O C4 Lounge é um dos primeiros modelos a exibir essa união de tecnologias: o motor 1.6 THP (Turbo High Pressure), que equipa as versões Tendance (intermediária) e Exclusive (top de linha) agora está apto a consumir também etanol.  Assim, a Citroën passa a ser a segunda marca a oferecer um automóvel bicombustível equipado com  turbo e injeção direta (a primeira foi a BMW).

Para fazer com que o propulsor 1.6 THP se tornasse flexível, a Citroën alterou a calibração eletrônica, aplicou tratamento anticorrosão no cabeçote e em outros componentes que entram em contato com o etanol e, surpreendentemente, reduziu a taxa de compressão, na contramão do que costuma ocorrer  nesse tipo de aperfeiçoamento.  Apesar disso, a potência aumentou: são 173 cv com etanol e 166 cv com gasolina. Já o torque permaneceu em 24,5 kgfm com ambos os combustíveis. Por fim, a Citroën afirma ainda que o consumo com gasolina diminuiu em aproximadamente 7,5%. De quebra, o motor dispensa mecanismos auxiliares de partida a frio, como tanquinho ou aquecedores dos bicos injetores.

Junto com as mudanças no motor, o C4 Lounge ganhou também melhorias no câmbio automático. As seis marchas foram mantidas, mas ganharam relações 11% mais longas, além de ter recebido nova calibração eletrônica. Além do mais, a transmissão passou a transmitir menos vibrações para o interior do veículo.

Os aperfeiçoamentos mecânicos vieram acompanhados de discretas mudanças na lista de equipamentos. A boa notícia é que a versão Tendance ganhou controle eletrônico de estabilidade. A má é que a Exclusive não oferece mais faróis de xênon. Entre perdas e ganhos, os preços subiram: a configuração intermediária custa R$ 78.790, e a top tem valor sugerido de R$ 85.490.

Impressões

Quem dirige o C4 Lounge percebe que o ganho de potência surtiu efeito discreto. O comportamento é basicamente o mesmo das antigas versões movidas apenas a gasolina. Ocorre que isso não é necessariamente um defeito: o sedã da Citroën já era um dos mais rápidos do segmento e continua agradando em cheio quando o assunto é desempenho, com ótimas acelerações e retomadas de velocidade. O motor casa bem com o câmbio, que realmente atua de modo suave.

A boa performance é acompanhada de conforto a bordo. O posto de comando é bastante ergonômico, e o nível de ruídos no habitáculo é baixo. No mais, agradam no modelo o acabamento caprichado e o espaço interno amplo, capaz de acomodar quatro adultos com folga.

Mercado

Apesar das suas qualidades como produto, o C4 Lounge tem vendas discretas. A Citroën sabe das dificuldades para crescer no mercado, principalmente diante dos resultados negativos que o setor apresentou em 2014, com quase 10% de retração em relação ao ano passado. Ainda assim, a marca francesa planeja vender pelo menos 1.000 unidades do sedã por mês.

O jornalista viajou a convite da Citroën

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