Arthur Omar propõe reflexão teórica na produção fotográfica

Projeto recebe fotógrafo que vai falar sobre o olhar antropológico presente em seu trabalho

iG Minas Gerais | gustavo rocha |


Artista projeta rostos com elementos distintos. Nesse caso, a água
Arthur Omar
Artista projeta rostos com elementos distintos. Nesse caso, a água

Os livros de fotografia, em sua maioria, costumam revelar a trajetória dos fotógrafos de maneira antológica, expondo seu trabalho, com textos introdutórios que contextualizam sua produção. Contrariando essa lógica, o artista Arthur Omar aposta em publicações que fujam dessa caráter catalográfico e investe em livros que extrapolem a imagem e tragam textos reflexivos sobre a fotografia. Hoje, ele apresenta ao público seu último trabalho, “Antes de Ver - Fotografia, Antropologia e Portas da Percepção”, no Multiespaço Oi Futuro, como parte do projeto Foto em Pauta.

“Em todos os meus trabalhos existe a presença do texto. Cada livro representa uma experimentação específica e cada um deles tem uma reflexão teórica”, pontua Omar. “A questão teórica é o mais importante, seria a ponta mais avançada do meu trabalho, da minha reflexão”, completa.

“Antes de Ver” traz à tona os caminhos da visão que passam por uma imagem preconcebida, a captação da imagem e as possíveis interpretações provindas de sua observação. “Tentei construir uma espécie de teoria da fotografia que vai dialogar com outras teorias da fotografia que estão aí vigentes, sem contradize-las, mas dando uma visão panorâmica do que eu penso. E eu ofereço nele, ao contrário dos teóricos, uma experimentação formal na própria fotografia”, sintetiza ele.

O livro parte da exposição “As Portas da Percepção”, na qual o fotógrafo continua sua pesquisa antropológica do rosto, sem necessariamente usar rostos humanos. “Eu uso materiais para remeter aos rostos das pessoas. Descobri que posso projetar aquilo que concebo na minha cabeça dessa maneira”, revela.

Comparando seu trabalho com outros fotógrafos, Omar o considera pioneiro no Brasil, porque seu eixo “é uma resposta teórica reflexiva. Não é como um livro de fotografia, que tem aqueles textos de apresentação”, ressalta. “Cada livro meu não é um livro sobre mim, mas sim um caminho de experimentação conceitual e formal. Eu uso o livro não como síntese de um momento do meu trabalho, mas como um instrumento mesmo, sem cair naquela experimentação tipográfica de livro de artista”, finaliza.

O quê. Foto em Pauta com Arthur Omar

Quando. Hoje, às 19h30

Onde. Multiespaço Oi Futuro (avenida Afonso Pena, 4.004, Mangabeiras)

Quanto. Entrada franca

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