Nada substitui a prática

iG Minas Gerais |

ALISSON GONTIJO – 26.7.2010
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O  fim do ano chegou e trouxe com ele novidades aos que pretendem se habilitar a dirigir veículos automotores. Passaram a valer desde o primeiro dia deste mês as novas resoluções, que, em linhas gerais, se resumem ao aumento da carga horária de aulas práticas. Isso é bom? Sim. Mesmo com o aumento no custo final do processo, valerá a pena esse incremento. Afinal, como diz o título, nada substitui a prática. E vamos mais além. Deveria ter sido incluído no bojo dessas alterações a obrigatoriedade de ser ministradas aulas em percurso rodoviário. Não é pouco comum ver os recém-habilitados, assim que estão com o documento em mãos, se aventurarem a pegar a estrada, sem nunca terem tido experiência anterior na condução rodoviária. É bem particular a condução em vias fora da cidade, e seria fundamental pelo menos uma boa noção dos riscos que todos nós, que viajamos de carro, estamos correndo. O Conselho Nacional de Trânsito (Conatran) estabeleceu, com a Resolução 493 e que foi publicada em 5 de julho de 2014, que, para tirar a CNH da categoria B (específica para carros de passeio), os alunos deverão fazer no mínimo 25 horas de aulas práticas, cinco a mais do que antes. Desse total de horas, cinco delas terão, necessariamente, de ser realizadas no período noturno (antes eram quatro horas), podendo ser substituídas, alternativamente, por aulas com simuladores. Mas nunca é demais repetir: simular não é praticar. O ideal seria primeiro receber orientações nesse equipamento e, depois, ir literalmente para a rua. Com as mudanças ora implementadas, o valor que pagará o aluno para ter as aulas práticas deverá aumentar algo próximo a 25%. A cobrança das autoescolas costuma ser por aula, mas o mínimo obrigatório de prática, que em média custava R$ 770,60, passa para R$ 963. Dessa forma, o preço para obtenção da licença subiu de R$ 1.532 para R$ 1.725. Para motociclistas também houve nova determinação: àqueles que desejarem adicionar a categoria A (específica para veículos com duas ou três rodas) à CNH precisarão fazer, no mínimo, 15 horas de aulas práticas (dessas, três no período noturno). Uma falha importante que não foi corrigida se reside no fato de essas aulas serem realizadas em circuito fechado, e não “in loco”, nas ruas e avenidas onde esses condutores de motos vão, de fato, circular. Erro grave. Para os futuros motoristas, a medida tem pontos positivos e negativos. Para o estudante Bruno Avellar, “o trânsito está cada vez mais caótico, e isso demanda, principalmente dos jovens nos dias de hoje, uma maior responsabilidade e habilidade na hora da direção. Muitos condutores, por falta de conhecimento e um devido treinamento, não sabem como reagir em situações críticas, nas quais a destreza e o treinamento são colocados à prova. Para um jovem, ansioso por obter sua carteira de motorista, cinco horas a mais na direção podem parecer desnecessárias, além, claro, de mais dispendiosas; mas, para quem já participa rotineiramente do trânsito, ter jovens companheiros de vias mais responsáveis e preparados ajudaria na fluência e na segurança do trânsito”, opina Bruno. Ao fim e ao cabo, o que interessa é a necessidade da conscientização. É preciso investir muito mais na educação, na base, para termos, no futuro, motoristas capacitados, cada vez com melhor formação e mais preparo. Tudo em nome da paz no trânsito.

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