Do mundo para Minas

Festival Minas Música Mundo une, de amanhã a domingo, artistas belo-horizontinos e do continente africano

iG Minas Gerais | fábio corrêa |

África. A angolana Aline Frazão se apresenta sexta-feira, às 20h30, no Klaus Vianna
RicardoAlevizos
África. A angolana Aline Frazão se apresenta sexta-feira, às 20h30, no Klaus Vianna

Conectar a música mineira com o mundo, sem passar pelas já congestionadas pontes tradicionais. Esse é o objetivo do Festival Minas Música Mundo (MMM), que traz à capital mineira, a partir de amanhã, uma programação que mistura artistas de Belo Horizonte e Cabo Verde. Além disso, o evento também promove uma mesa-redonda e um debate, ambos com o intuito de revelar a troca de experiências culturais e divulgar oportunidades para artistas mineiros que queiram se aventurar pelos sete mares.  

Nesta edição, a organização convidou dois artistas internacionais: a angolana Aline Frazão, radicada em Lisboa, e o cabo-verdiano Dino d’Santiago. Na programação do Teatro Klaus Vianna, no Oi Futuro, eles se juntam aos mineiros Gustavito e Laura Lopes e ao português João Pires, residente na capital mineira.

O contato dos músicos mineiros com os africanos, por sinal, começou longe das terras brasileiras. Em julho do ano passado, a belo-horizontina Laura Lopes, que também se apresenta no MMM, esteve em Portugal para divulgar o álbum “Abaporu”. Sem apoio para financiar passagens dos membros de sua banda, Laura acabou tendo de formar um grupo com músicos que viviam no país lusitano. Foi aí que conheceu Aline Frazão, radicada em Lisboa, cuja banda integrava dois dos instrumentistas que acompanharam Laura. “Assim iniciamos uma conexão. Em Lisboa, fui em um show dela e ela foi no meu”, conta.

Quase um ano se passou, e, em abril de 2014, Laura viajou, com outros artistas mineiros, para o Atlantic Music Expo (AME), uma feira internacional de world music, realizada anualmente em Cabo Verde. Lá, reencontrou a angolana e, de quebra, ficou conhecendo o trabalho de Dino d’Santiago, natural do país. Foi aí que surgiu a vontade de trazer algo parecido para Belo Horizonte. “Foi no AME que a gente teve a ideia de viabilizar um encontro que buscasse essa vivência, esse intercâmbio entre artistas das duas regiões”, explica.

Conexão. Numa primeira observação, a lusofonia é a característica em comum entre os músicos participantes do MMM. Contudo, para Laura Lopes, as similaridades não param por aí.

“Dá pra perceber que tanto o Dino quanto a Aline tem uma costura com a música brasileira”, conta a cantora e compositora. “A Aline, por exemplo, escutou muita bossa nova e já transitou muito nessa linguagem”. Já na música do Dino, que segue bastante a tradição cabo-verdiana, Laura observa intercessões nos ritmos e na escolha dos instrumentos, como o cavaquinho.

O músico Gabriel Murilo, organizador do MMM, ressalta também a ligação histórica entre os países lusófonos da África e o Brasil, que uniu ambas as culturas. “Cabo Verde, por exemplo, é o último ponto [ao norte] da África, e foi a despedida de muitos de nossos ascendentes, que lá eram vendidos como escravos e acabavam vindo para cá”, conta.

Gabriel conta que o objetivo do MMM é ir na trilha dos eventos internacionais dedicados à world music e desenvolver relações com pessoas envolvidas, no mundo da música, sem a necessidade de passar pelas vias tradicionalmente ocupadas pela América do Norte e Europa.

“O objetivo não é construir um mercado cultural, algo que está em crise, mas desenvolver de fato relações sustentáveis, baseadas na economia criativa, que sejam sustentáveis a longo prazo”, explica.

Inclusive, uma edição maior do MMM está planejada para 2015, com representantes de 15 a 20 países. “Estamos abrindo portas para fazer uma coisa maior no futuro”, resume Laura.

Agenda

Minas Música Mundo: De amanhã a domingo, no Teatro Klauss Vianna (av. Afonso Pena, 4.001, Serra)

Mercado Distrital do Cruzeiro e no (rua Opala s/nº, Cruzeiro).

Mais informações em minasmusicamundo.com.

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