Basquete brasileiro celebra 50 anos da medalha dos Jogos de Tóquio

Equipe comandada por Renato Brito Cunha foi a única do Brasil a subir ao pódio nos Jogos de Tóquio, em 1964

iG Minas Gerais | Débora Ferreira e Bruno Trindade |

Ex-atletas foram homenageados no no Salão Social do Esporte Clube Sírio, em São Paulo.
CBB/Divulgação
Ex-atletas foram homenageados no no Salão Social do Esporte Clube Sírio, em São Paulo.

Entre as participações do Brasil em Jogos Olímpicos, a ida delegação a Tóquio, em 1964, certamente foi uma das mais peculiares. Mesmo com tradição em atletismo, o País não conseguiu nenhum ouro, e contou com um esporte que hoje tenta se reencontrar para não passar em branco no Japão: o basquete. Nesta terça-feira, comemora-se cinquenta anos da medalha de bronze conquistada pelos comandados de Renato Brito Cunha.

Em São Paulo, a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) reuniu os participantes em uma homenagem ao feito histórico. De toda a delegação, somente dois ex-atletas não estiveram presentes, e foram representados por suas esposas, e o técnico, que não teve condições de comparecer.

Na memória, o feito alcançado ainda aparece bem vivo. O Brasil terminou a primeira fase invicto, depois de três vitórias sobre Porto Rico (75 a 72), União Soviética (58 a 54) e México (80 a 72), e em seguida passou por Polônia (77 a 68) e Tchecoslováquia (85 a 79).

“Sempre estávamos cotados pra ganhar os torneios. O Brasil naquela época estava no terceiro lugar geral do ranking”, relembra Amaury Pasos.

A queda veio apenas no quadrangular final. Itália, a dona da casa, Estados Unidos e União Soviética eram os rivais, e o Brasil chegou a passar pela anfitriã, vencendo por 78 a 75, mas não conseguiu superar os soviéticos e foi derrotado por 53 a 47.

Deste último confronto, Nenê Sucar se recorda de um acontecimento em especial. Dez centímetros mais baixo que os adversários, o ex-pivô tinha a complicada missão de impedir o jogo rival.

“Eu tinha 2,05m e tinha que marcar o Petrov e os outros gigantes. Fazia o que podia. O Professor Renato Brito Cunha me pedia sempre, que não era para deixar receber. Aí tinha que ficar sempre na frente dele para cortar o passe”, conta ele.

Depois de 64, o país nunca mais conseguiu uma medalha na modalidade em Olimpíadas. No cenário atual, tentativas não faltam para desenvolver o esporte. A participação deste ano no Mundial deixou clara a vontade de fazer com que o basquete volte a crescer, mas ainda há muito ser feito. Para a seleção que conquistou dois bronzes – muitos dos que estiveram em Tóquio também estiveram em Roma quatro anos antes -, a falta de atletas no presente é um dos maiores problemas.

“Falta maior quantidade de jogadores. Apesar de termos bons jogadores, nesse último Mundial podíamos ter conquistado uma medalha e não conquistamos. Perdemos para a Sérvia, foi azar, mas a equipe deixou se desestabilizar por duas faltas técnicas seguidas e depois não conseguiu se recuperar, mas poderia ter ido melhor. Acho que no futuro teremos condições de figurar em melhores posições no basquete como fazíamos antigamente”, espera Amaury.

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