Aqui se faz e exporta cultura

Moradores dessas terras gerais sabem como ninguém que Belo Horizonte é uma exímia produtora de cultura. Prestes a completar 117 anos no próximo dia 12, não é exagero dizer que gerar e exportar boas ideias, projetos de sucesso e artistas de reconhecimento internacional são, sim, características da nossa jovem capital

iG Minas Gerais | Luíza Pimenta * Especial para o Pampulha |

Saideira do Comida di Buteco: uma entre inúmeras iniciativas de sucesso que BH exporta
Beto Eterovick / Divulgacao
Saideira do Comida di Buteco: uma entre inúmeras iniciativas de sucesso que BH exporta

Começamos cedo. Já na década de 1920, poetas ocupavam com palavras e desejos de mudança o Café Estrela, na rua da Bahia. Prova disso é o lançamento de “A Revista”, em 1925, por Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava, Milton Campos, Gustavo Capanema e Emílio Moura, o que posicionou Belo Horizonte no ritmo dos modernistas do Rio de Janeiro e de São Paulo.

O Modernismo foi consolidado por JK na década de 40. O então prefeito queria uma metrópole moderna com diálogo entre arte, arquitetura e outras linguagens – o que acabou por alterar o imaginário da cidade, interferindo na produção cultural e na economia.

No plano das artes, contamos com importantes festivais nacionais e internacionais, como o FIT e o FID. São inúmeros centros culturais e coletivos que esbanjam criatividade e incentivam a produção artística mineira. Sem falar no Inhotim, próximo à capital, com destaque internacional nos campos da arte contemporânea, botânica, educação, inclusão e cidadania.

Hoje, muitos nomes da cultura mineira têm reconhecimento internacional. Na música, Milton Nascimento e seu Clube da Esquina, Skank, Pato Fu, Sepultura. Na dança, Grupo Corpo e 1º Ato; no teatro, Grupo Galpão e a Companhia Giramundo de Bonecos; nas artes plásticas a Escola Guignard. Além, é claro, da atual geração que alça altos voos em busca de outras gerais.

É o caso, por exemplo, do festival Comida di Buteco, que na edição de 2015 tem o apoio dos jornais O TEMPO e Pampulha. Um dos projetos mais queridos dos mineiros cresceu, ganhou corpo e, ao longo dos 16 anos de sua criação tem desenvolvido um importante papel de fomento à cultura e culinária de boteco, contribuindo para o desenvolvimento desse setor. Butecando aqui e ali, saiu das nossas fronteiras e hoje está em 20 cidades de nove Estados, com 500 botecos e muita história para contar.

“Olhar para o retrovisor e ver que conseguimos fazer a população abraçar o concurso da forma como fez garantiu uma dose importante de confiança para acreditarmos que o concurso poderia dar certo em outras cidades”, conta Maria Eulalia Araujo, gestora de botecos e imprensa do festival.

“Porém, antes de iniciar a expansão, realizamos uma pesquisa em várias cidades do Brasil que indicou que teríamos chance de replicar o conceito do Comida di Buteco”. Segundo ela, essa pesquisa também ajudou a definir o perfil dos bares convidados.

“Queremos o boteco ‘espontâneo’, aquele que tem o dono e sua família sempre à frente, nunca pertencendo à redes ou franquias. Essa definição clara do perfil dos participantes foi um importante know how adquirido”, conta ela.

Confira algumas personalidades que saíram da “terrinha” para fazer sucesso lá fora.

 

Ricardo Alves Jr. e seu olhar premiado sobre o plano

Deve ter sido um recorde. Desde quando estreou no Festival de Locarno, na Suíça, em agosto de 2013, “Tremor”, curta do diretor mineiro Ricardo Alves Jr., competiu, ao longo dos dois meses seguintes, em outros seis festivais. Saiu premiado de três: direção, fotografia e montagem de ficção no Festival de Brasília; melhor filme no Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte e no Festival Kinoforum de Cinema de Londrina.

Ainda deu tempo de ir a Portugal, ao Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira, em dezembro, e levar o prêmio especial do júri. “Tremor” é o quarto filme de Ricardo desde sua estreia, em 2006, com “Material Bruto”. Seguiu carreira premiada no curta “Convite para Jantar com o Camarada Stalin” (2007) e no média-metragem “Permanências”, selecionado para a Semana da Crítica do Festival de Cannes, em 2011.

Nascido em Belo Horizonte, Ricardo se formou em cinema na Universidade de Buenos Aires. Apesar de seu trabalho aparentar influências de nomes do cinema autoral europeu, ele não consegue se vincular a alguém em específico. “Sou muito intuitivo e instintivo. Não penso no diálogo com outros realizadores antes da criação nem tenho um estudo teórico aprofundado. Interessa fazer um trabalho sobre o plano. Talvez por isso, haja teatralidade nos meus filmes.”

 

Ricardo Fernandes: entre Paris e BH

Com experiência de mais de 20 anos em arte e morando em Paris, Ricardo Fernandes é o dono da prestigiada Galerie Ricardo Fernandes. Seu trabalho de curadoria é reconhecido internacionalmente pela organização e harmonia na ambientação das obras. Este ano, mostrou seu talento em dois importantes eventos em BH: o primeiro foi a mostra de fotografias de Lúcia Adverse sobre Berlim, no Museu Inimá de Paula; o segundo foi a exposição do pernambucano Sérgio Bello no Museu de Artes e Oficio (MAO), em comemoração ao bicentenário do mestre Aleijadinho.

 

O midas Edson Xavier, literalmente

Aos 28 anos, Edson Xavier já figura entre os cem designers mais influentes do mundo. Egresso do desenho na indústria automotiva, foi quase por acaso que se tornou um criador de joias. Em poucos anos, tornou-se profissional de destaque, colecionando prêmios nacionais e internacionais: entre eles o Idea Brasil – o Oscar do design brasileiro – e o Swarovsky GemVisions, do qual foi finalista por dois anos, até ser escolhido para produzir 48 peças para o catálogo 2013 da grife. Atualmente, está no alvo da “Vogue” americana, que o procurou para cobrir ação desenvolvida no Vale do Jequitinhonha com material reciclado de cerâmica. Guarda na gaveta diversos projetos com baixo custo de implantação, grande potencial socioeconômico e de destaque internacional.

 

Duo Siqueira Lima: carisma e forte personalidade musical

O Duo Siqueira Lima é formado pela uruguaia Cecilia Siqueira e pelo mineiro Fernando de Lima. Juntos desde 2002 eles já são referência internacional na formação de duo de violões, com atuações marcantes em grandes festivais, importantes teatros e programas de televisão. A crítica sempre ressalta sua musicalidade, técnica, sincronismo absoluto e, além disso, o carisma que emanam em suas performances.

O primeiro encontro entre Fernando e Cecilia foi marcado por um acontecimento histórico em suas carreiras. Ocorreu no concurso internacional de violão, em 2001. Entre participantes de vários países, eles dividiram o primeiro lugar. Este fato foi de total importância para a formação do duo Siqueira Lima e para o início da carreira internacional.

Seu último álbum “Um a Um” (2010), foi lançado na Europa e nos Estados Unidos pelo aclamado selo belga GHA Records, com um repertório integralmente formado por música brasileira, com arranjos inéditos criados pelo próprio duo e com obras compostas e dedicadas especialmente a eles. Apresentam-se constantemente na Europa, Estados Unidos, América do Sul e, recentemente, regressaram de sua primeira viagem à África do Sul.  

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