Ex-presos de Guantánamo não mudam rotina de hospital no Uruguai

Os seis detentos deverão ser reconhecidos pelo governo uruguaio como refugiados; Sob esse status, poderão trabalhar no país e, inclusive, entrar com um pedido de refúgio para suas famílias

iG Minas Gerais | Folhapress |

Nem mesmo a expectativa da iminente alta dos ex-prisioneiros de Guantánamo alterou, na manhã desta terça-feira (9), a rotina do Hospital Militar de Montevidéu, onde eles estão internados desde a sua chegada ao Uruguai, no domingo (7).

O movimento e os atendimentos seguem normais no centro médico e houve um reforço da segurança apenas no Prédio 6 -onde os ex-detentos têm passado por uma bateria de avaliações médicas nos últimos dois dias.

Em todo o restante do complexo, é possível transitar por corredores internos e entre os prédios sem qualquer necessidade de identificação. Segundo a administração do hospital, o centro atende a cerca de 170 mil pacientes, entre militares e familiares, e é um dos mais antigos da capital uruguaia. No fim da manhã, a advogada do sírio Jihad Diyab, a britânica Cori Crider, chegou ao hospital para sua segunda visita ao cliente.

Há a expectativa que alguns dos ex-prisioneiros já deixem o complexo nesta terça. Eles seriam levados a uma casa, em Montevidéu, sob os cuidados do Acnur (agência da ONU para refugiados). Diyab, 43, que fez greve de um fome durante um longo período em Guantánamo, estaria com a saúde mais frágil -e deve ser um dos últimos a deixar o hospital. Ele foi o único dos seis a precisar de uma cadeira de rodas assim que desembarcou em Montevidéu.

Além de Diyab, foram transferidos para o Uruguai os também sírios Omar Mahmoud Faraj, 39, Ali Hussain Shaabaan, 32, e Ahmed Adnan Ahjam, 37, o palestino Mohammed Tahanmatan, 35, e o tunisiano Abdul bin Mohammed Abis Ourgy.

Os seis deverão ser reconhecidos pelo governo uruguaio como refugiados. Sob esse status, poderão trabalhar no país e, inclusive, entrar com um pedido de refúgio para suas famílias.

O comerciante Sebastian Francesi, 43, proprietário de uma loja de roupas em frente ao Hospital Militar, diz não estar preocupado com a vinda dos ex-prisioneiros de Guantánamo ao país. "Não há mais perigo na presença deles do que o que enfrentamos com os criminosos que já temos no país", disse Francesi.

A dona de casa María Dolores, 34, que se consultou pela manhã no hospital também não demonstrou preocupação. "Nem sabia que eles já estavam aqui. Se quiserem ficar neste país, serão bem-vindos", disse.

Entretanto, uma pesquisa realizada pela consultoria privada Cifra, em outubro deste ano, mostrou que 58% dos uruguaios não queriam a transferência dos prisioneiros de Guantánamo.

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