Membros da CPMI receberam doações de empresas investigadas

Durante as investigações, a comissão não autorizou a quebra de sigilo bancário das empresas e não convocou empreiteiros para prestar depoimentos

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Cerca de sete dos 16 membros da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), responsável por investigar o desvio de recursos da Petrobras para beneficiar agentes públicos, receberam propina de empresas e empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, durante campanha eleitoral em 2010. Ao longo das investigações, a comissão não autorizou a quebra de sigilo bancário das empresas e não convocou empreiteiros para prestar depoimentos. As informações foram publicadas nesta terça-feira (9) pelo jornal "O Globo".

Somando o valor, juntos, os parlamentares receberam R$ 3,46 milhões com as doações. De acordo com a reportagem, o relator da CPMI, deputado Marco Maia (PT-RS), que apresenta nesta terça-feira o relatório final da comissão, recebeu cerca de R$ 330 mil. Ele foi beneficiado pelas empresas: Mendes Junior Tradingm com R$ 100 mil; Galvão Engenharia, R$ 30 mil; e da Estre Ambiental, com 30 mil.

Já o senador Humberto Costa (PT-PE) recebeu R$ 1,53 milhão das empreiteiras Camargo Corrêa, OAS e Galvão Engenharia, durante campanha para o Senado.

Em depoimento de delação premiada, o ex-presidente da Petrobras, Paulo Roberto Costa, afirmou que o senador foi destinatário, em 2010, de parte do dinheiro desviado da estatal e que seria "cota do PP". Humberto Costa, que foi ministro da Saúde durante o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, negou as acusações.