Sem critérios, cofre da prefeitura banca obras particulares

Prefeito ajuda moradores com material e mão de obra

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

Privadas. Muitas obras particulares são tocadas com materiais doados e servidores da prefeitura
Uarlen Valério
Privadas. Muitas obras particulares são tocadas com materiais doados e servidores da prefeitura

Em pouco mais de dez minutos de carro é possível percorrer todo o perímetro urbano de São Sebastião do Rio Preto, na região Central de Minas. No caminho, as várias obras de construção e reforma de casas chamam a atenção dos visitantes. Boa parte das 405 residências em nada se parece àquelas vistas nas típicas cidades do interior. Elas têm fachadas e acabamentos novos e de padrão superior.

O cenário destoa de uma pacata cidade de 1.600 habitantes, onde a economia gira em torno da venda de leite e do salário dos 234 funcionários do Executivo municipal.

Os moradores revelam a origem de parte do financiamento das obras: os cofres públicos. O prefeito Antônio Celso Moreira (PTB) – que, nas ruas, é visto como aquele “que ajuda muito” – contribui com a população, mas da forma que lhe convém, o que pode caracterizar improbidade administrativa.

O município banca de forma aleatória obras de algumas famílias. A ajuda não se restringe à compra de material e alcança até a concessão de mão de obra. Servidores municipais são deslocados da função para executar as obras.

Às 16h da última sexta-feira, a reportagem encontrou um funcionário do município, durante o expediente, ajudando a construir um imóvel particular. “A gente faz o que manda. Limpar a rua mesmo, quase nunca limpo”, afirmou. No dia seguinte ao da entrevista, ele pediu para ter o nome ocultado.

Uma funcionária do município que pediu anonimato explica que as doações não são por meio de um programa social. “Quem precisa de ajuda vem. O serviço social e o prefeito analisam e concedem ou não. A ajuda é mais com compra de material porque carpinteiro e pedreiro são da prefeitura. Por isso, não tem muito gasto extra”, afirma a servidora, que não soube precisar quanto do orçamento é gasto com os benefícios.

O prefeito tentou explicar: “O pessoal faz economia própria. Uns são aposentados, outros têm fazenda. Sabendo economizar, consegue alguma coisa na vida. Mas a gente também ajuda”, diz Antônio Celso, que não vê problemas nas doações.

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