EUA desconheciam negociação para soltar refém sul-africano no Iêmen

Autoridades iemenitas afirmam, como Washington, que os sequestradores "atiraram contra os dois reféns para matá-los" depois de não aceitarem a rendição

iG Minas Gerais | Folhapress |

O fotojornalista norte-americano Luke Somers, 33, que havia sido sequestrado pela Al Qaeda em setembro de 2013, foi morto neste sábado, 6/12/2014, numa tentativa de resgate
Reprodução / NBC News
O fotojornalista norte-americano Luke Somers, 33, que havia sido sequestrado pela Al Qaeda em setembro de 2013, foi morto neste sábado, 6/12/2014, numa tentativa de resgate

O governo dos Estados Unidos não estava ciente das negociações para libertar o refém sul-africano que morreu durante uma operação frustrada de suas forças especiais no Iêmen, afirmou nesta segunda-feira (8) o embaixador americano na África do Sul.

Pierre Korkie, um professor de 56 anos, havia sido capturado por militantes da Al Qaeda no Iêmen em maio de 2013 e morreu nesse sábado (6), aparentemente horas antes de sua libertação.

O grupo não governamental sul-africano Gift of the Givers disse que havia negociado a libertação de Korkie e comunicado à sua mulher, Yolande, que em breve ele voltaria para casa. Mas o embaixador Patrick Gaspard indicou à emissora de rádio 702 que os Estados Unidos não estavam cientes de sua libertação iminente.

"O governo dos Estados Unidos desconhecia completamente que havia negociações entre a Gift of the Givers e esses captores brutais da Al Qaeda", afirmou, em referência à AQPA (Al Qaeda na Península Arábica).

Segundo ele, Washington também não sabia que Korkie estava detido no mesmo lugar que Luke Somers, um fotojornalista americano de 33 anos que também morreu na operação frustrada das forças especiais dos EUA na província de Shabua, no Iêmen.

"O presidente soube por meio do Conselho Nacional de Segurança que o refém Luke Somers enfrentava uma ameaça iminente", disse Gaspard.

"Foi publicado um vídeo" que dizia que "seria executado em 72 horas. Com essa informação (...), o presidente Obama autorizou a missão de resgate para tentar libertar Somers e evitar que tivesse o mesmo destino que outros", acrescentou.

Críticas

A madrasta de Somers lamentou o uso da força para tentar libertar a enteado, segundo o jornal The Times.

"Não fomos informados sobre a situação", disse Penny Bearnman. Ela afirmou que o pai de Somers está "bastante irritado porque, se não tivesse acontecido uma tentativa de resgate, ele ainda estaria vivo".

"Temos certeza de que Luke teria apoiado as negociações no Iêmen em vez do uso da força", disse ao jornal.

As autoridades iemenitas afirmam, como Washington, que os sequestradores "atiraram contra os dois reféns para matá-los" depois de não aceitarem a rendição. 

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