Sem dinheiro, faltam médicos

Envoltos em uma crise constante, hospitais filantrópicos não são atrativos para profissionais

iG Minas Gerais | Cinthia Ramalho |

Equipe. Santa Casa de Ouro Preto é um exemplo de instituição que tem dificuldades de contratar, por causa de problemas nas contas
Reprodução / Google Street View
Equipe. Santa Casa de Ouro Preto é um exemplo de instituição que tem dificuldades de contratar, por causa de problemas nas contas

A empregada doméstica Camila Guimarães Reis, 23, é mãe do pequeno Luís Gustavo, 4. Há duas semanas, ela precisou levá-lo ao médico, já que o garotinho apresentava um quadro grave de amidalite e estomatite. Porém, ao chegar à Santa Casa de Ouro Preto, na região Central de Minas Gerais, ela se deparou com um hospital lotado e com apenas um pediatra de plantão. “Como eu tinha plano de saúde, procurei atendimento particular, mas outros pacientes, que não podiam pagar, tiveram que ficar lá esperando”, relatou.  

A falta de especialistas, como pediatras e obstetras, que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é um dos dramas pelos quais passam os hospitais filantrópicos em todo o Estado. Dirigentes das instituições e profissionais têm razões distintas para mais essa questão que afeta o atendimento à população.

Para Gustavo Macena, superintendente da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Minas Gerais (Fedessantas), o problema está na falta de interesse dos médicos. “Faltam pediatras e obstetras nas cidades do interior. Os hospitais têm vagas, mas elas não estão sendo preenchidas porque os médicos não querem”, afirma.

A coordenadora da equipe de pediatria da Santa Casa de Ouro Preto, Fátima Guedes, relatou à reportagem que, realmente, é difícil encontrar médicos para trabalhar na instituição, mas o motivo é o atraso nos pagamentos. “Ninguém quer trabalhar só por amor. Os governos fazem uma série de programas, mas não mantêm o dinheiro do repasse. Estamos sem receber desde outubro”, afirma.

Incentivo. Ao contrário do que afirma o superintendente da Federassantas, Fernando Mendonça, secretário geral do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais, diz que o problema nas cidades do interior não é a falta de médicos, mas sim de condições de trabalho para que eles queiram permanecer nessas cidades. “Não são só os salários baixos, mas também a falta de segurança. Hoje, o profissional não possui nenhum vínculo formal com as Santas Casas. Assim, quando elas precisam cortar gastos, a primeira coisa que fazem é não pagar os médicos”, afirma

Segundo um levantamento realizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), no ano passado, a pediatria liderava a lista de especialidades médicas em todo o Brasil, com mais de 30 mil profissionais cadastrados no órgão. Em segundo lugar, ficou a ginecologia e obstetrícia, com aproximadamente 25 mil médicos.

Em Minas Gerais, o quadro não é diferente. A pediatria é a especialidade com o maior número de profissionais em todo o Estado, com mais de 3.000 médicos, seguida da ginecologia e obstetrícia, com mais de 2.000 especialistas.

Prefeitura

Ouro Preto. A Secretaria Municipal de Saúde de Ouro Preto confirmou que houve atraso em repasses para a Santa Casa. Porém, segundo o órgão, a situação já foi regularizada.

Esperança na capital

Belo Horizonte  No dia 25 de novembro, a Santa Casa de Belo Horizonte recebeu a Certidão Negativa de Débitos (CND), emitida pela Receita Federal. O certificado comprova a regularidade da instituição em nível tributário, nas esferas federal, estadual e municipal.

Futuro. De posse da CND, a Santa Casa BH passará a ter acesso a diversos projetos governamentais de remuneração e custeio na área de saúde, além de emendas parlamentares, créditos sociais, projetos de renúncia fiscal e convênios de doações de equipamentos. 0 Alívio. “Isso dá condições de a Santa Casa crescer muito e prestar mais serviços”, afirmou o superintendente de planejamento, finanças e recursos humanos da Santa de Belo Horizonte, Gonçalo de Abreu Barbosa.

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