Novo aparelho eleva sobrevida de doentes com câncer no cérebro

Artefato fica preso ao couro cabeludo e não tem efeito colateral além de certa irritação

iG Minas Gerais | Denise Grady |

Esperança. Maureen Piekanski, 59, sofre com o glioblastoma e participou do estudo: sobrevida surpreendeu
RUTH FREMSON
Esperança. Maureen Piekanski, 59, sofre com o glioblastoma e participou do estudo: sobrevida surpreendeu

Nova York,EUA. Um aparelho elétrico preso a couro cabeludo pode diminuir a progressão de tumores no cérebro e prolongar a vida de pessoas com o tipo mais mortal de tumor cerebral, de acordo com um relatório publicado no dia 15 de novembro.  

O aparelho não é uma cura e, em média, acrescenta apenas alguns meses de vida quando utilizado em parceria com cirurgias, radioterapia e quimioterapia. Isso levou alguns médicos a questionarem sua utilidade, mas os cientistas que estão realizando o estudo afirmam que o aparelho é a primeira terapia em uma década a estender a vida de pacientes com glioblastomas, tumores cerebrais que fazem o paciente sobreviver por no máximo 15 meses, mesmo com os melhores tratamentos.

A doença afeta cerca de 10 mil pessoas por ano nos EUA e foi responsável pela morte do senador Edward M. Kennedy, em 2009. Ela é tão agressiva e difícil de tratar, que até mesmo pequenos ganhos na sobrevivência são considerados importantes.

As novas descobertas significam que o aparelho deve se tornar parte do tratamento oferecido a todos os pacientes recém-diagnosticados com glioblastomas, afirmam os pesquisadores. O equipamento é composto por quatro transdutores que os pacientes colam no couro cabeludo e trocam de tempos em tempos. Fios elétricos conectam os transdutores a um sistema de 2,7 kg com fonte de alimentação.

Tirando alguma irritação no couro cabeludo, o aparelho não causa efeitos colaterais, de acordo com o estudo. Mas os pacientes precisam utilizar o aparelho o dia todo e não podem deixar o cabelo crescer. Ele gera campos elétricos alternantes de baixa intensidade – capazes de interromper o crescimento do tumor impedindo a divisão celular. Os pesquisadores afirmam que a tecnologia também pode ajudar no tratamento de outros tipos de câncer e será testada em casos de mesotelioma e câncer no pulmão, nos ovários, nas mamas e no pâncreas.

O aparelho da Novocure foi aprovado nos EUA em 2011, mas apenas para o tratamento de glioblastomas recorrentes, não de novos casos. Ele custa US$ 21 mil por mês e alguns planos de saúde cobrem seu uso. Até o momento, a Novocure tem fornecido o tratamento de forma gratuita para pacientes sem seguro de saúde, de acordo com William F. Doyle, executivo-chefe da empresa. O estudo testou o aparelho em casos recém-diagnosticados. Os resultados foram apresentados em Miami, em uma reunião da Sociedade de Neuro-oncologia, pelo Dr. Roger Stupp, diretor do departamento de oncologia e câncer do Hospital Universitário de Zurique. Os dados vieram dos primeiros 315 pacientes, que foram acompanhados durante 18 a 60 meses. Os pacientes foram colocados em dois grupos: 105 receberam apenas o tratamento padrão, que geralmente inclui cirurgias, radioterapia e quimioterapia com temozolomida; os outros 210 receberam o tratamento padrão aliado ao elétrico.

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