Sabe de nada

iG Minas Gerais |

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A reportagem que o jornal “The New York Times” divulgou há dez dias sobre a atual predominância do futebol mineiro no Brasil, com os títulos de Cruzeiro e Atlético de dois anos para cá, leva positivamente, para uma dimensão planetária, o que estamos vivenciando aqui, por ser ele um dos mais renomados jornais do mundo. Mas chutou o meu calcanhar a parte em que o repórter Ewan MacKenna diz que Belo Horizonte é um lugar sem grandes atrativos, “um lugar sobre o qual poucos pensariam antes daquele fatídico dia de julho (dos 7 a 1 para a Alemanha na Copa do Mundo), justamente por oferecer poucas razões para a visita, a não ser se ela estivesse no caminho para um outro destino.” Pensando em termos mundiais, Belo Horizonte não era mesmo tão conhecida até se tornar a sede da derrota vexatória para os alemães na Copa, mas soa exagerado ou preguiçoso da parte do repórter, afirmar que é uma cidade sem grandes atrativos. O repórter pode ter outras referências, como Nova York, Paris ou Berlim (e aí ele tem razão), mas para cravar que nossa cidade tem poucas razões para a visita, ele não deve ter ido sequer à praça da Liberdade. Possivelmente se ateve aos estádios, à praça Sete e à Savassi. Essa reflexão me vem justamente quando tenho observado o fôlego que vem tomando o Circuito Cultural da Praça da Liberdade. Os espaços culturais foram sendo inaugurados ali aos poucos e ainda há coisas por vir. Talvez por esse traço paulatino não tenhamos nos dado conta plenamente do vigor cultural oferecido ali e, um dos pontos mais importantes é que a grande maioria é de acesso gratuito à população. Em âmbito multiso, a inauguração do Sesc Palladium e a chegada do CCBB ampliaram significativamente as referências culturais da cidade. No dia da final da Copa do Brasil entre Cruzeiro e Atlético, no Mineirão, aconteceram à noite pelo menos três importantes shows na cidade: João Donato e Fernanda Takai no CCBB; Tulipa Ruiz no Grande Teatro do Palácio das Artes, e o duo dos pianistas Fábio Caramuru e Marco Bernardo na turnê nacional “Tom Jobim, 20 Anos de Saudade”, no Teatro Bradesco. Isso sem falar das dezenas de outros locais em que a cultura belo-horizontina se manifesta. Não dá pra saber também pela reportagem, se Ewan MacKenna conhece Inhotim, o centro de arte contemporânea que regularmente atrai visitantes dos mais diferentes pontos do mundo. Se circulasse mais pela cidade, o repórter poderia ter dito que temos hoje o melhor futebol do país e atrativos culturais que o mundo deveria conhecer.

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