Para FHC, cabe a Dilma 'vestir a camisa dos opositores' na economia

Ex-presidente ressaltou que Dilma precisará adotar uma política econômica que atenda aos setores mais dinâmicos do país

iG Minas Gerais | Folhapress |

Fernando Henrique Cardoso disse que, agora, é a favor da CPI
NILTON FUKUDA/ESTADÃo
Fernando Henrique Cardoso disse que, agora, é a favor da CPI

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) avaliou que é discutível a legitimidade da vitória da presidente Dilma Rousseff (PT) e considerou que cabe agora ao governo federal "vestir a camisa de seus opositores", fazendo "malfeito" o que uma administração tucana faria "melhor".

Em artigo publicado na edição deste domingo (7) dos jornais "O Globo" e "O Estado de S. Paulo", FHC ressaltou que Dilma precisará adotar uma política econômica que atenda aos setores mais dinâmicos do país, o que, na avaliação dele, seria melhor implementada com uma vitória de Aécio Neves (PSDB).

"A tarefa a ser cumprida seria mais bem realizada com a esperança, o ânimo e o compromisso de campanha dos que não venceram. Cabe agora aos vitoriosos vestir a camisa de seus opositores (como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já fez em 2003), continuar maldizendo-nos e fazendo malfeito o que nós faríamos de corpo e alma, portanto, melhor", afirmou.

No texto, intitulado "Vitória Amarga", o tucano ressaltou que é indiscutível a legalidade da reeleição da presidente, mas considerou que sua legitimidade é discutível, uma vez o discurso adotado na campanha eleitoral "não se compaginava com a realidade".

Na formação de sua equipe econômica, segundo avaliação do tucano, a petista tem entrado em contradição ao que pregou no período eleitoral, buscando um tripé econômico "de direita".

"A calamidade das contas públicas levou-a a escolher quem se imagina que possa repô-las em ordem, pois sem isso não existe direita nem esquerda, mas o caos", afirmou.

A presidente anunciou no final de novembro o ex-secretário do Tesouro Nacional Joaquim Levy para o comando do Ministério da Fazenda.

A escolha, que teve o apoio de Lula, foi elogiada pelo mercado financeiro, mas não foi bem recebida por lideranças petistas, que criticam o novo ministro por sua ortodoxia econômica.

Em seu primeiro discurso, Levy anunciou as metas de economia do setor público para os próximos três anos e a decisão de tornar a contabilidade pública mais transparente.

"O objetivo imediato do governo e do Ministério da Fazenda é estabelecer uma meta de superavit primário para os próximos anos", afirmou.

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