Dores fazem parte do esporte

Avaliações médicas e fisioterápicas são a base para a prevenção de problemas nos esportes

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

Recuperação. 
Já sem a botinha ortopédica, Raquel agora faz fisioterapia para poder voltar a praticar atividades físicas
Arquivo pessoal
Recuperação. Já sem a botinha ortopédica, Raquel agora faz fisioterapia para poder voltar a praticar atividades físicas

Por mais que se tente evitar, a ocorrência de lesões é inerente à prática esportiva. Uma pesquisa conduzida no Centro Médico da Universidade VU, na Holanda, descobriu uma taxa de lesões de 5,1 para cada mil horas de treinos de corrida.  

Nos Estados Unidos, um levantamento do Centro Médico da Universidade de Rochester lista a quantidade de crianças atendidas em pronto-socorros por conta de lesões provocadas pela prática de esportes. O trabalho descobriu que aproximadamente 3,5 milhões de crianças com idades abaixo dos 14 anos se machucam anualmente praticando atividades físicas.

Uma pesquisa realizada também nos Estados Unidos detectou que 21% das pessoas que praticavam caminhada três vezes por semana durante uma hora tiveram algum tipo de lesão. Outra pesquisa revelou que, no badminton, (esporte praticado com raquetes), 75% dos atletas já havia se lesionado.

Tipos de lesões. De acordo com o fisioterapeuta esportivo Eduester Lopes Rodrigues, presidente da Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva na regional Minas Gerais, cada modalidade tem suas lesões mais típicas. “No futebol, são frequentes as lesões ligamentares, os entorses de joelhos, tornozelos e as lesões musculares. Quem pratica vôlei está mais exposto à lesão no tendão patelar (do joelho). E entre os praticantes de corrida são mais comuns as canelites (dores na canela), as dores nas plantas dos pés e as lesões nos joelhos”, comenta.

A veterinária Raquel Cabala, 26, está se recuperando de uma ruptura dos ligamentos do tornozelo. Depois de um período parada, ela, que sempre fez atividade física, começou a fazer CrossFit paralelo aos treinos na academia.

“Eu estava muito empolgada. Você começa com poucas atividades e vai aumentando. No dia em que as atividades aumentaram, meu organismo não aguentou. Eu fui pular e, na hora que caí, torci o pé”, conta. O resultado foram seis meses usando bota ortopédica de imobilização e sem poder colocar o pé no chão. Agora, ela vai começar as sessões de fisioterapia para poder, em breve, voltar a malhar. Apesar de ter se machucado no CrossFit, ela admite que poderia ter se machucado em qualquer modalidade esportiva que estivesse praticando.

Prevenção. Alguns cuidados são fundamentais para evitar que a prática esportiva termine no hospital. Dentre as recomendações dos especialistas, estão a realização de avaliações médicas e fisioterápicas.

“Fazer avaliações médicas periodicamente, seguir orientações nutricionais e as recomendações do instrutor. Essa é a receita para aproveitar ao máximo a atividade com menor risco de problemas”, ensina Jomar Souza, diretor da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte. “Ouvir” o próprio corpo também é fundamental. “O corpo dá sinais. Você não se machuca de repente quando se trata de uma lesão crônica, você vai sentindo”, ensina o educador físico especialista em fisiologia do exercício Carlos Eduardo Guedes Vidal.

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