Projeção nacional ainda distante

Para Pablo Castro, a expansão da cena passa menos pela mídia nacional do que pelo próprio berço

iG Minas Gerais | Daniel Barbosa |

Estado. Pablo Castro acredita que o próprio aparato do Estado pode ajudar a fortalecer e expandir a cena local
Marco Antônio Gonçalves / Divulgação
Estado. Pablo Castro acredita que o próprio aparato do Estado pode ajudar a fortalecer e expandir a cena local

Apesar da quantidade, da qualidade e da diversidade do que se produz no atual cenário musical de Minas Gerais, os artistas locais ainda têm dificuldade em se projetar nacionalmente. “Claro que a gente gostaria de um contato maior com o público. Vejo trabalhos ótimos serem produzidos e terem uma circulação comprometida, apesar da internet. Se a gente tivesse condição de tocar mais para outros públicos, seria muito interessante. De qualquer forma, acho que a gente já tem um bom alcance”, diz Marcos Braccini, que este ano lançou seu primeiro disco solo, “Noturno”.  

Téo Nicácio também relativiza com relação ao lugar que a atual geração de músicos de Minas ocupa. “Claro que todo mundo gostaria de ter uma visibilidade maior, alcançar mais pessoas, mas acredito que este lugar em que a gente está tem seu valor e é muito bacana. De repente, é um público menor, porém mais qualificado, que não só consome como divulga sua música”, diz.

Rafael Martini considera que se a cena mineira atual não alcança maior repercussão nacional, é porque está desvinculada do mercado. “O conceito de mercado não existe pra gente. O mercado é voltado para o que vende, e a música feita por nossa geração não é venal. A gente faz música basicamente para um mesmo público, que não é diversificado, é restrito e cresce muito devagar. É um público de gente interessada em arte”, aponta.

Para Pablo Castro, a expansão da cena passa menos pela mídia nacional do que pelo próprio berço. “A saída para que a produção seja autossustentável é a regionalização. Precisa haver um compromisso mais firme e mais claro do próprio aparato do Estado, que financia boa parte dessa produção, via Lei de Incentivo. Trata-se de começar pelo próprio quintal”, opina. (DB)

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